A GÊNESE SEGUNDO O ESPIRITISMO

A GÊNESE SEGUNDO O ESPIRITISMO

A GÊNESE SEGUNDO O ESPIRITISMO

Sem mágicas ou mitos, a criação do universo e a origem da humanidade recebem, sob a luz do espiritismo, explicações bem diferentes das que estamos acostumados a ouvir dentro de outras doutrinas religiosas. Acompanhe!

 

Texto • Redação

“De onde viemos?” – a pergunta que não cala na mente de filósofos, cientistas e pesquisadores há séculos encontra as mais variadas respostas nas religiões mundo afora. Entre mitos criacionistas e histórias lindas sobre a origem do homem e do universo, o espiritismo preferiu seguir outro caminho, menos fantasioso, mas igualmente fascinante. Para os espíritas, quem deseja compreender a gênese deve estar disposto não apenas a conhecer os ensinamentos de Kardec, mas a acompanhar de perto as descobertas científicas.

Para entender um pouco como se deu esta aliança entre ciência e religião no espiritismo, vamos voltar ao século 19, época em que Kardec codificou a doutrina. Naquele tempo, o mundo vivia uma verdadeira efervescência de ideias científicas, invenções e descobertas – basta lembrar que foi nessa época que nasceu a Teoria da Evolução, de Darwin. Então, Kardec, como era um homem, acima de tudo, estudioso e pesquisador, não se fez de rogado e buscou na ciência as bases para codificar e entender melhor o mundo dos homens e dos espíritos.

Uma das obras da codificação espírita, A Gênese, trouxe a parte da ciência tradicional de acordo com o conhecimento que já existia no século 19 interpretada à luz da nova doutrina, que estava sendo codificada por Kardec. Na obra, cita-se a origem do universo, da Via Láctea, do sistema solar, da Terra, da vida na Terra... Tudo partindo do conhecimento científico.

“Não acolhemos o criacionismo do Velho Testamento. O conceito da gênese no espiritismo, em linhas gerais, segue a teoria de Darwin”, explica Wlademir Lisso, advogado na área Internacional e professor da Unicamp, autor de livros espíritas e expositor da doutrina kardecista no Brasil e no Exterior.

Mas e quanto à origem dos espíritos, as encarnações e Deus? Como a doutrina conjuga esses temas com a ciência? É isso o que vamos ver agora.

O materialismo e a espiritualidade

No livro A Gênese, Allan Kardec concilia os dois temas aparentemente opostos:

“O espiritismo marcha ao lado do materialismo no campo da matéria, admite tudo o que o segundo admite, mas avança para além do ponto onde este último pára. O espiritismo e o materialismo são como dois viajantes que caminham juntos, partindo de um mesmo ponto. Chegados a certa distância, diz um: ‘Não posso ir mais longe’. O outro prossegue e descobre um novo mundo. Por que, então, há de o primeiro dizer que o segundo é louco, somente porque, entrevendo novos horizontes, se decide a transpor os limites onde ao outro convém deter-se?

Também Cristóvão Colombo não foi tachado de louco, porque acreditava na existência de um mundo pra lá do oceano? Quantos a História não conta desses loucos sublimes, que hão feito que a Humanidade avançasse e aos quais se tecem coroas, depois de se lhes haver atirado lama? Pois bem! O espiritismo, a loucura do século 19, segundo os que se obstinam em permanecer na margem terrena, nos patenteia todo um mundo, mundo bem mais importante para o homem do que a América, ao passo que todos, sem exceção de nenhum, vão ao dos espíritos, fazendo incessantes travessias de um para o outro”.
 

Criação divina

Se ainda a ideia de um Deus criador divide a opinião dos cientistas, para os espíritas isso é uma questão resolvida. O estudioso Wladimir Lisso lembra que O Livro dos Espíritos define Deus como a inteligência suprema e causa primária de todas as coisas. “Este conceito apresenta o criador como a origem de tudo – matéria e espírito”, esclarece Lisso. 

Do macaco ao homem

Para os espíritas, diferentemente de outras religiões, a ideia de que o homem evolui do macaco não é absurda. Acompanhe uma passagem do livro A Gênese que comprova tal afirmação:

“Da semelhança que há de formas exteriores entre o corpo do homem e o do macaco, concluíram alguns fisiologistas que o primeiro é apenas uma transformação do segundo. Nada aí há de impossível nem o que, se assim for, afete a dignidade do homem. Bem pode dar-se que corpos de macaco tenham servido de vestidura aos primeiros espíritos humanos, forçosamente pouco adiantados, que viessem encarnar na Terra, sendo essa vestidura mais apropriada às suas necessidades e mais adequadas ao exercício de suas faculdades, do que o corpo de qualquer outro animal. Em vez de se fazer para o espírito um invólucro especial, ele teria achado um já pronto. Vestiu-se então de pele de macaco, sem deixar de ser espírito humano, como o homem não raro se reveste da pele de certos animais, sem deixar de ser homem. Fique bem entendido que aqui unicamente se trata de uma hipótese, de modo algum posta como princípio, mas apresentada apenas para mostrar que a origem do corpo em nada prejudica o espírito, que é o ser principal e que a semelhança do corpo do homem com o do macaco não implica paridade entre o seu espírito e o macaco”.

Os primeiros espíritos encarnados

Sobre a origem do espírito, Wladimir Lisso conta que ainda não temos faculdades intelectivas desenvolvidas o suficiente para entender tal conceito. Ele conta que se usa a palavra “princípio inteligente” ou “princípio espiritual” para definir o ser anterior à criação da Terra. Assim, segundo Lisso, a origem seria a individualização do princípio inteligente a partir da inteligência universal que evolui através dos reinos da natureza nos diversos mundos até atingir o estado de perfeição. “Vem de Deus simples e ignorante, retorna para Deus quando adquire a sabedoria que significa conhecimento e evolução moral”, explica o escritor e palestrante. “De acordo com Kardec, não sabemos se antes de adentrarem o planeta Terra, e já vem de fases de evolução em outros planos de vida ou se inicia a evolução em nosso planeta”, complementa.

A seguinte passagem de A Gênese confirma as explicações de Lisso:

“Quando a Terra se encontrou em condições climáticas apropriadas à existência da espécie humana, encarnaram nela espíritos humanos. Donde vinham? Quer eles tenham sido criados naquele momento; quer tenham procedido, completamente formados, do espaço, de outros mundos, ou da própria Terra, a presença deles nesta, a partir de certa época, é um fato, pois que antes deles só animais havia. (...) Deixemos então de lado a questão da origem; insolúvel por enquanto; consideremos o espírito não em seu ponto de partida, mas no momento em que, manifestando nele os primeiros germens de livre-arbítrio e do senso moral, o vemos desempenhar o seu papel humanitário, sem cogitarmos do meio onde haja transcorrido o período de sua infância, ou se preferirem, de sua incubação”.

Fonte: Triada.com.br