A INFÂNCIA DE CHICO XAVIER

A INFÂNCIA DE CHICO XAVIER

A INFÂNCIA DE CHICO XAVIER

Maior expoente da doutrina espírita no Brasil, Chico Xavier despertou para a espiritualidade ainda criança. À sua volta, porém, o que ele encontrou foi incompreensão e descrença

 

 Texto • Renata Guerra



Francisco Cândido Xavier, um garoto pobre do interior de Minas Gerais, começou a despertar para seu dom especial ainda muito novo. O que mais tarde seria visto como uma benção, àquela altura, era encarado apenas como uma maluquice das grandes. Na igreja, assombrações flutuavam bem na sua frente. Na escola, homens invisíveis lhe ditavam redações que chamavam a atenção dos professores. Onde quer que fosse, sempre havia algum espírito a lhe dizer, no pé do ouvido, coisas que nem os adultos conseguiam entender.

Criado em uma família católica, logo o pequeno Chico sentiria não só o peso das assustadoras aparições, mas também da incompreensão e da descrença. Seu pai pensava seriamente em mandá-lo para um hospício. Sua madrinha declarava: “este moleque tem o diabo no corpo”. Quase sempre, ele acabava apanhando – para deixar de ser tão atentado e pagar por todos os seus pecados.
 

Maria de Deus

A primeira grande provação da vida de Chico Xavier veio cedo. Sua mãe, Maria João de Deus, morreu quando ele tinha apenas cinco anos. Para o menino, só não foi pior porque antes de ir ela avisou: “se alguém disser que eu morri, não acredite”. E prometeu voltar para vê-lo assim que pudesse.

Diante da tragédia, seu pai, um homem muito simples, teve que distribuir os nove filhos em casa de parentes, já que não tinha condições financeiras para criá-los. Assim, Chico ficou aos cuidados de sua madrinha, Rita de Cássia, uma mulher que o maltratava com freqüência. O sofrimento contínuo fazia com que o garoto procurasse por sua mãe em busca de um alívio ou palavras de conforto. 

Um dia, depois de apanhar, Chico foi para o quintal chorar debaixo de uma bananeira. Enquanto rezava o pai-nosso, Maria de Deus apareceu e disse que era preciso ter paciência. Após esse encontro, Chico não chorava mais enquanto levava surras. Passou a apanhar calado e, em seguida, correr para o quintal para poder rever a mãe. Além de pedir paciência e obediência, ela tranquilizava o garoto, dizendo que mais tarde surgiria um anjo bom em sua vida. 

O anjo e a Igreja

O anjo bom demorou dois anos para aparecer. Cidália Batista, a nova mulher de seu pai, fez questão de recolher todos os filhos de João Cândido. Chico contava sobre suas visões para Cidália. Ela não entendia, mas apoiava o garoto e dizia que um dia ele encontraria pessoas que iriam explicar o que lhe ocorria. O pai não tinha a mesma opinião. Preocupado com o comportamento do filho, João Cândido Xavier decidiu levá-lo a um padre, Sebastião Scarzello, que concordou com a madrinha e sentenciou que o garoto era mesmo alvo do demônio. A falta de compreensão por parte de seus familiares fez com que Chico, aconselhado por sua mãe, deixasse de comentar os acontecimentos em casa.

No confessionário, porém, o garoto relatava todas as suas visões a Scarzello. No início, o vigário lhe aconselhou muitas novenas e lhe arranjou um emprego em uma fábrica de tecidos, quando Chico tinha apenas nove anos. Os espíritos não deram trégua, mesmo com a jornada de 10 horas de trabalho diário mais a escola, eles continuavam a aparecer. O padre então tomou uma atitude mais drástica: aconselhou o pai de Chico a afastá-lo da má influência de livros, revistas e jornais.
 

Palavras do além

Na sala de aula, as aparições o acompanhavam. Aliás, era lá também que apanhava dos outros alunos, porque diziam estar cheios de suas visões e esquisitices. No ano em que se comemorou o centenário da Independência, Chico recebeu menção honrosa por uma redação sobre o tema, que havia sido ditada por um homem invisível. Foi aí que ele começou a desenvolver a psicografia, ou seja, o dom de transcrever palavras enviadas pelos espíritos.

Começava ali o desenvolvimento de uma capacidade que mudaria sua vida para sempre. Escrevendo cartas, poemas e romances ditados por seres do “lado de lá”, Chico Xavier difundiu mensagens de fé e caridade, confortou corações desolados e, acima de tudo, encheu o país de esperança. Não por acaso, quando morreu, aos 92 anos, havia se tornado um verdadeiro ídolo popular do Brasil.

Fonte: Triada.com.br