CHICO XAVIER: O GRANDE MÉDIUM

CHICO XAVIER: O GRANDE MÉDIUM

CHICO XAVIER: O GRANDE MÉDIUM

Saído de um pequeno município mineiro, ele se transformou no principal difusor do espiritismo para o mundo. Conheça agora a trajetória percorrida por Chico Xavier

 

Texto • Geisa D'avo


Como médium, ele psicografou mais de 400 obras. Como agente social, implantou programas e atividades que, ainda hoje, levam esperança para comunidades carentes. Como figura pública, conseguiu o improvável: conviveu com a mídia e com o assédio de um infindável contingente de pessoas que o procuravam com a expectativa de obter notícias a respeito de pessoas desencarnadas, mas, ainda assim, manteve uma vida discreta e humilde. As muitas facetas da personalidade de Francisco Cândido Xavier – ou Chico Xavier – explicam porque o médium se tornou uma das personalidades brasileiras mais respeitadas de todos os tempos.

Nascido em Pedro Leopoldo, no estado de Minas Gerais, em 2 de abril de 1910, Chico não demorou a perceber que carregava consigo algo de diferente. Ao longo de sua infância e adolescência, lidava com problemas usuais – como as dificuldades financeiras pelas quais passava sua família –, mas também despertava sua habilidade em comunicar-se com espíritos. Embora esta sua capacidade tenha o levado a ser taxado de louco e acusado até mesmo de estar sob influências demoníacas, bastariam alguns anos para que o médium encontrasse a explicação para tantos acontecimentos.

Primeiros passos

Em 1927, Xavier teria o primeiro contato com a doutrina espírita. Por conta de uma doença misteriosa que se abateu sobre sua irmã, seus familiares decidiram solicitar ajuda a um casal de espíritas, que promoveram a primeira sessão acompanhada por Chico, utilizando, para tanto, as obrasO evangelho segundo o espiritismo e O livro dos espíritos, de Allan Kardec.

A experiência despertou o interesse do adolescente de 17 anos que, logo, começou a participar ativamente das atividades desenvolvidas no Centro Espírita Luis Gonzaga, fundado por seu irmão, José Xavier. Poucos meses após este contato inicial, ele viria a receber as primeiras páginas mediúnicas. Na ocasião, Chico preencheria 17 páginas, assinadas por “um espírito amigo”, que versavam sobre os deveres do espírita-cristão.

 

Passaram-se apenas quatro anos até que o médium conhecesse Emmanuel, o espírito que o acompanharia por toda a vida e se tornaria seu grande parceiro e mentor. O novo amigo trazia consigo algumas recomendações: “Lembro-me de que em um dos primeiros contatos comigo, ele me preveniu que pretendia trabalhar ao meu lado, por tempo longo, mas que eu deveria, acima de tudo, procurar os ensinamentos de Jesus e as lições de Allan Kardec e, disse mais, que se um dia, ele, Emmanuel, algo me aconselhasse que não estivesse de acordo com as palavras de Jesus e de Kardec, que eu devia permanecer com Jesus e Kardec, procurando esquecê-lo”, contava o médium. 

 

O trabalho engrandeceu o homem

O primeiro livro psicografado por Chico Xavier, Parnaso de além-túmulo, foi publicado em 1932 e era uma espécie de antologia poética assinada por 14 autores desencarnados. A partir de então, o médium não parou mais de escrever e, duas décadas depois, já havia recebido e escrito mais de 50 obras, cujas vendagens extrapolavam as expectativas do mercado editorial nacional e internacional. Embora trabalhasse exaustivamente para psicografar tantos textos, Xavier revertia o dinheiro arrecadado com direitos autorais para a Federação Espírita Brasileira e diversas outras entidades, pois afirmava que aquilo não lhe pertencia.

Já em 1959, Chico decidiu mudar-se para Uberaba, MG, onde desenvolveu uma série de atividades mediúnicas, além de ter prestado atendimento às pessoas que o procuravam para obter reconforto espiritual. Fora do trabalho religioso, o médium ainda implantou tarefas assistenciais na cidade para auxiliar pessoas que pouco ou nada tinham.

Após ter enfrentado uma série de doenças que debilitaram sua saúde, o médium viria a falecer aos 92 anos no dia 30 de junho de 2002, mesmo dia em que o país festejava a conquista do pentacampeonato mundial de futebol. Até o fim de sua vida, Chico Xavier permaneceu como um fiel discípulo e propagador das crenças cristãs e espíritas. Suas palavras e ações fizeram com que fosse considerado o maior fenômeno mediúnico do último século, afinal, além das 435 obras editadas e publicadas em mais de 45 países, Chico transcendeu as divergências religiosas e cativou pessoas das mais diversas crenças e formações. 

Linha do tempo

1910 – Em Pedro Leopoldo, MG, nasce Francisco de Paula Cândido (nome de batismo), filho de João Cândido Xavier e de Maria João de Deus.

1915 – Com a morte de sua mãe, Chico muda-se para a casa de sua madrinha, Maria Rita de Cássia. Tempos depois, seu pai casa-se com Cidália Batista e a família se reúne novamente.

1923 – Conclui o curso primário.

1927 – Depara-se com a doutrina espírita diante da doença de sua irmã, Maria Xavier Pena. No mesmo ano, psicografa pela primeira vez.

1931 – Conversa com seu mentor espiritual, Emmanuel, pela primeira vez.

1932 – Lança seu primeiro livro de poemas psicografados, obra que recebeu o nome de Parnaso de Além-túmulo.

1935 – Passa a trabalhar no Ministério da Agricultura

1944 – É processado pela família de Humberto de Campos, que exige parte dos direitos autorais dos livros psicografados. No mesmo ano, publica Nosso Lar, que vendeu mais de 1,5 milhão de cópias.

1963 – Aposenta-se após 30 anos de trabalho.

1965 – Viaja para os Estados Unidos para difundir a doutrina espírita.

1975 – Anuncia o encerramento de suas atividades mediúnicas por estar com a saúde debilitada.

1980 – É indicado para receber o Prêmio Nobel da Paz.

1985 – Em julgamento, João Francisco de Deus é inocentado da acusação de matar sua mulher. Sua defesa usa psicografias feitas por Chico Xavier e ditadas pelo espírito Cleide, mulher de João, inocentando o marido.

1995 – Um enfisema pulmonar faz com que fique preso a uma cadeira de rodas.

1999 – Publica seu último livro, chamado Escada de Luz.

 

2002 – Falece no dia 30 de junho.

 

Obras importantes


Parnaso de além-túmulo (1932)

Primeira obra psicografada por Chico Xavier, contém 259 poemas, cujas autorias são atribuídas a 56 poetas, entre eles Olavo Bilac, Augusto dos Anjos e Casimiro de Abreu.

 

 


Há dois mil anos (1939)

Ditada pelo espírito Emmanuel, relata a história do senador romano Publio Lentulus. Ao descrever o encontro deste personagem com Jesus Cristo, Emmanuel discorre sobre o orgulho e a vaidade.

 

 

Nosso lar (1944)

Neste, que é o livro espírita mais vendido em todo o mundo, o espírito do médico André Luiz descreve a estrutura de uma colônia espiritual, onde os espíritos se estabelecem em busca de evolução até que estejam prontos para reencarnar.
 

 

Todas estas obras foram publicadas pela Federação Espírita Brasileira.

Fonte: Triada.com.br