DONA ISABEL: DEDICAÇÃO À CARIDADE

DONA ISABEL: DEDICAÇÃO À CARIDADE

DONA ISABEL: DEDICAÇÃO À CARIDADE

Após receber uma mensagem espiritual, ela fundou o Lar do Caminho – que hoje cuida de mais de 50 crianças carentes em Juiz de Fora, Minas Gerais – e iluminou sua vida. Acompanhe a entrevista e conheça a história de Dona Isabel

 

Texto • Lívia Filadelfo


Há quase 30 anos, Isabel Salomão dos Santos, a Dona Isabel e seu marido tinham uma vida próspera e feliz, mas ainda faltava alguma coisa. Um dia, sentada à mesa com a família reunida, ela recebeu a seguinte mensagem: “que beleza, minha filha, sua mesa, seus filhos. Parabéns. Saia um pouco do seu conforto e vá abraçar os filhos de outras mães que não tem o mínimo do que seus filhos têm”.

Foi o que ela fez. Isabel e o marido, Ramiro Monteiro de Campos, falecido há dois anos, fundaram o Lar do Caminho, que hoje, abriga mais de 50 crianças carentes. Além de moradia e alimentação, as crianças recebem educação, vestuário, atendimento médico-odontológico e ainda têm suas famílias atendidas para que um dia possam voltar para casa. Mas o trabalho de caridade da Dona Isabel, de 85 anos, não pára por aí. Confira na entrevista abaixo um pouco das atividades desenvolvidas por ela e saiba mais sobre o espiritismo e a caridade.
 

Como o espiritismo surgiu em sua vida?

Desde quando eu tinha 9 anos os espíritos falavam comigo e se deixavam ver no cafezal da fazenda de minha família, no interior de Minas Gerais. A religião (católica) dos meus pais, na qual fui criada, não conseguiu me ajudar a entender o que estava acontecendo. Assim, eu cresci vendo e ouvindo espíritos. Ninguém além de mim podia vê-los ou ouvi-los, e por desconhecimento eu costumava chamar essas presenças de “coisas”. Aos 20 anos, fui morar em Juiz de Fora. Um dia, o diretor da escola em que eu trabalhava me disse que aquilo que eu via e ouvia eram espíritos, que eu era médium, e que deveria procurar um centro espírita. Lá, ao assistir a uma reunião, pude perceber que o que ouvi era uma verdade e eu já sabia. O que não tinha conhecimento até então é que existia uma religião que cuidava disto. A partir daí abracei Doutrina Espírita e procuro fazer dela a razão da minha existência divulgando o bem e a certeza de que Jesus existe e está vivo entre nós.
 

Quando e como a senhora iniciou o trabalho de atendimento a crianças carentes e no centro?

O trabalho assistencial sempre fez parte de minha vida. Ainda bem jovem já me preocupava com as crianças da zona rural, que não tinham acesso à escola. Aos 14 anos, pensando nelas, fundei uma escola. Com a ajuda de minha família construímos carteiras e confeccionamos os uniformes. Mais tarde, já casada, meu marido e eu fazíamos distribuição de alimentos e roupas. Chegávamos até os vizinhos e amigos. Enquanto muitos juntavam dinheiro para comprar um carro ou uma casa de praia nós economizávamos para poder realizar este trabalho. Assim, há 26 anos, fundamos o Lar do Caminho, onde residem com minha família, meninos em situação de risco social. A idéia de montar o Lar nasceu em um momento de felicidade à mesa com meu marido e meus filhos. Um mentor espiritual se aproximou e me disse-me “que beleza, minha filha, sua mesa, seus filhos. Parabéns. Saia um pouco do seu conforto e vá abraçar os filhos de outras mães que não tem o mínimo do que seus filhos têm”. O trabalho de atendimento espiritual começou na minha casa e na boutique que eu tinha na época. Mesmo sem “promoções de vendas” a boutique ficava cada vez mais cheia.  As pessoas não iam apenas para comprar, mas principalmente para me ouvir e buscar orientações. Foi então que um mentor espiritual orientou-me para tirar um dia para o atendimento. Depois estes dias foram aumentando pouco a pouco, até que eu recebi a seguinte mensagem dos espíritos: “seja qual for a sua opção você terá êxito. Porém as duas coisas não pode ser”. Fechei a boutique e fiquei apenas fazendo o atendimento espiritual. Em pouco tempo não cabia mais gente na minha casa. Era necessário um espaço apropriado. Então, surgiu o centro espírita A Casa do Caminho.
 

Atualmente, quais são as suas atividades no trabalho com as crianças carentes e no centro?

Em relação às crianças que vivem comigo, nós trabalhamos para lhes garantir todo o atendimento que daríamos aos nossos filhos biológicos, tudo de forma gratuita. Isso inclui alimentação, vestuário, atendimento médico-odontológico, farmacêutico e formação moral. As crianças estudam no colégio Allan Kardec, uma escola particular com 300 alunos fundada e administrada por meu marido e eu. Também desenvolvemos outros projetos como a distribuição mensal de seis toneladas de alimentos, cobertores, medicamentos, enxoval de bebê e roupas a 370 famílias carentes; fazemos o atendimento nos meses de inverno à população de rua com a distribuição de cobertores e chocolate quente; promovemos a reforma das residências das famílias das crianças que moram conosco. Nos finais de semana, todas as crianças visitam suas famílias de origem visando manter o vínculo familiar e a plena socialização destas crianças. Fazemos tudo isto com recursos vindos da promoção de vários eventos e contribuição dos amigos que, um dia, já foram beneficiados pelo trabalho espiritual de nossa Casa Espírita.
 

Como a senhora se sente realizando este trabalho?

Plenamente feliz com anseios cada vez maiores de, por gratidão a Deus e amor ao Cristo, poder continuar ajudando aos que batem às nossas portas. E o que me deixa feliz é que tudo isso acontece por causa do Evangelho de Jesus.
 

Todos nós temos uma obra de caridade determinada a realizar na vida? Como cada um pode descobrir a sua verdadeira missão?

O ser humano precisa fazer da sua presença na Terra uma mensagem de Deus. Enquanto tiver alguém chorando, sofrendo dores físicas, morais e sociais, enquanto o desencanto ocupar os sentimentos e morta estiver a esperança dos jovens, grande é nossa responsabilidade e não podemos cruzar os braços, abandonando os idosos e as crianças sem teto e sem agasalho. Para isto e por isto, o Pai Criador nos mantém no corpo físico. Aqui estamos para fazer conhecidas e vivenciadas as amoráveis e sábias Leis de Deus na mensagem sublime de Jesus: vesti os nus, dai de comer a quem tem fome.

A caridade é um dos princípios mais importantes da Doutrina Espírita. Todos os espíritas devem praticar a caridade?

Apesar dos nossos defeitos, somos fortalecidos pela intocável convicção no amor de Jesus Cristo, e o contato direto com os trabalhadores espirituais nos possibilita amar, ajudar e sermos solidários com aqueles que, em lágrimas, sentem a esperança desvanecer. Isto é a religião espírita. Sem caridade não há espiritismo.
 

O que é caridade no espiritismo? Dar esmola nas ruas ou simplesmente doar aquilo que sobra em casa também são considerados atos de caridade pela doutrina?

Diversas são as formas de fazer caridade: uma palavra amiga, atenção e respeito. Educar é também caridade. A pessoa que pede um alimento ou coisa parecida é sempre uma necessitada. Não nos cabe julgar e, sim, ajudar com exemplo de amor que nos ensina Jesus. Tenhamos cuidados apenas para que não humilhemos mais ainda o pedinte. A doutrina espírita nos ensina a fazer a caridade, ajudando sem humilhação. Mas não devemos nos esquecer de que não é somente o pobre que necessita da caridade. O cidadão bem colocado sócio e economicamente também precisa destas atenções. A angústia, a solidão, o desespero que leva a pessoa à desilusão, a falta de interesse com a vida também pede nossa atenção.
 

Praticar a mediunidade através do trabalho de atendimento espiritual em um centro espírita também é uma forma de caridade? Todos os espíritas devem realizar este tipo de trabalho?

O médium espírita é o trabalhador do Evangelho de Jesus e deve estar sempre à disposição para o atendimento dos necessitados. A caridade acontece sem esperar recompensa na Terra. O médium espírita é sempre um voluntário do Evangelho.
 

É possível, também nos pequenos gestos do dia a dia, exercer a caridade com o próximo. Como?

É imprescindível que aprendamos a fazer o bem e não esperar que o sofrimento chegue às nossas almas, porque com ele chega também o medo que corrói nosso mundo interior. Quando a alegria nos visita o lar e o coração é hora de fazer o bem. É nosso dever usar nossa palavra para que outros sejam felizes e estimulados a fazer o bem que enobrece nossas emoções. Agindo assim o necessário não nos faltará, e as bênçãos de alegria transbordarão do mundo interior da divina criação brindando a humanidade. Jesus existe. Cristianizemos as nossas atitudes.

Fonte: Triada.com.br