ESPIRITISMO, UMBANDA E CANDOMBLÉ

ESPIRITISMO, UMBANDA E CANDOMBLÉ

ESPIRITISMO, UMBANDA E CANDOMBLÉ

Embora essas doutrinas sejam confundidas com frequência, há importantes diferenças entre elas. A seguir, conheça as principais

 

Texto • Geisa D’avo
 


 

Espiritismo

Origem – Em 1848, duas irmãs de uma família tradicional da cidade de Hydesville (situada em Nova Iorque, Estados Unidos), trouxeram a público o fato de que estabeleciam contato com uma espécie de “agente invisível”, com o qual conversavam por meio de batidas nas paredes de sua casa. A partir daí, acontecimentos da mesma natureza foram registrados em diversas partes do mundo, até que o francês Allan Kardec decidiu estudá-los de perto. Em 1857, Kardec publicaria O Livro dos Espíritos, fundamentando, assim, a doutrina espírita de acordo com os ensinamentos que lhe foram transmitidos por esses mesmos “agentes invisíveis”, os quais passou a denominar como espíritos evoluídos.

Fundamentos – De acordo com a doutrina espírita, todos nós somos “constituídos” de um espírito ligado temporariamente a um corpo – espírito esse que está em constante processo de aperfeiçoamento. Nesse processo, somos convidados a solucionar questões kármicas (ou seja, pendências que, de alguma maneira, impedem nosso desenvolvimento), até que possamos atingir o estágio máximo de evolução espiritual, o que justifica a necessidade de tantas reencarnações. O contato entre encarnados e desencarnados se dá mentalmente (sem que haja domínio completo do corpo por parte dos desencarnados), como uma forma de transmitir experiências e ensinamentos do mundo extraterreno, de modo que os habilitados a executar essa missão são apenas os espíritos mais elevados.

 

Umbanda

Origem – A umbanda é tida como religião verdadeiramente brasileira, já que nasceu em terras tupiniquins a partir da mescla de princípios da Igreja Católica, espiritismo, candomblé e também do culto praticado pelos indígenas, conhecido como “pajelança”. Segundo relatos, foi durante uma sessão espírita ocorrida em 1904 que o médium Zélio Fernandino de Moraes teria incorporado uma entidade que se apresentou como “Caboclo das Sete Encruzilhadas”. Poucos anos depois, com ajuda de espíritos que se apresentavam como ex-escravos (denominados, então, como pretos velhos) e ex-indígenas (ou caboclos) o médium fundaria o primeiro centro de trabalhos voltados à prática umbandista, em Niterói, Rio de Janeiro.

Fundamentos – Segundo a religião, tanto médiuns como entidades trabalham sob os preceitos da fraternidade, caridade e respeito ao próximo. Os orixás também são cultuados, mas trabalha-se com a incorporação de guias, que são uma espécie de emanações oriundas de cada orixá. Esses guias, muitas vezes, portam-se como crianças, pretos velhos, indígenas, entre outros, e chegam a manifestar vícios adquiridos nas últimas encarnações (muitos são adeptos do tabagismo, por exemplo). Tais vícios ou elementos requeridos pelos guias, como cachimbos e saias, seriam também instrumentos utilizados para dissipar energias negativas ou concentrar energias positivas. Entre os praticantes do ritual, há o consenso de que existe um Deus supremo (denominado Olorum ou Zambi), e Jesus Cristo aparece como uma divindade a ser cultuada, sob o nome de Oxalá. Tal qual o espiritismo, o objetivo desses trabalhos é atingir o grau máximo de evolução espiritual.

 

Candomblé

Origem – Não é possível estabelecer quando foram realizados os primeiros rituais de Candomblé. Sabe-se, entretanto, que é um culto bastante primitivo, realizado pelos negros africanos e trazido ao Brasil no período da escravidão. De acordo com a tradição do candomblé, é preciso cultivar os deuses orixás, que são representações ligadas à natureza e aos homens. Porém, desde que chegou em terras brasileiras, a religião passou por transformações para se esquivar da perseguição católica. A principal delas pode ser observada no chamado sincretismo religioso, a partir do qual cada orixá foi associado a um santo da Igreja Católica, com o intuito de despistar os jesuítas e dar continuidade ao culto sem que houvesse punições a seus praticantes.

Fundamentos – A prática religiosa do candomblé dá-se apenas a partir da incorporação por parte dos médiuns das divindades conhecidas como orixás. Portanto, nesses rituais não é praticado o contato ou a incorporação de espíritos desencarnados, mas sim daqueles que representam o lado mais divino e mais humano de tudo o que existe no reino de Deus. Essas divindades, trazidas em terra, teriam o potencial de anular energias negativas e, por si só, proporcionar a harmonia e a espiritualidade necessárias aos seres humanos.

Fonte: Triada.com.br