EXPERIÊNCIAS FORA DO CORPO

EXPERIÊNCIAS FORA DO CORPO

 

EXPERIÊNCIAS FORA DO CORPO

Saiba mais sobre a viagem astral, também chamada de desdobramento espiritual, o intrigante fenômeno em que espírito e matéria se distanciam por alguns preciosos instantes

 

Texto • Kathlen Ramos
 


 

Sabe aquela estranha sensação de estar quase pegando no sono e de repente ter uma vertigem? Você já teve a impressão de voar pelo seu quarto e contemplar seu próprio corpo na cama? Ou então, passou pela experiência de, pouco antes de acordar, querer abrir os olhos ou mover os braços e não conseguir? Mais do que sonho ou alucinação, para espíritas e esotéricos, tudo isso pode ser explicado como “viagens astrais” ou “desdobramento espiritual”.

Estas experiências são caracterizadas pelo afastamento entre o espírito e o corpo físico, em razão do afrouxamento, mesmo que momentâneo, dos laços que os mantêm unidos. “A viagem astral é uma espécie de sonho, só que muito mais nítido e coerente. Podem-se visualizar cenas e encontrar pessoas, encarnadas ou desencarnadas. As impressões são muito mais intensas, pois ocorrem por meio das faculdades espirituais”, afirma a diretora da Federação Espírita Brasileira (FEB), Marta Antunes de Moura.

Quase sempre as projeções acontecem de modo involuntário ou espontâneo, durante o sono. Em outros casos, ocorrem em situações de Experiências de Quase Morte (EQM), comuns a pacientes terminais. “O corpo físico relaxa naturalmente e surgem sensações como inchamento, morbidez e entorpecimento físico. No momento do distanciamento, existe a sensação de um pequeno choque e ouve-se um ruído parecido com uma estação de rádio fora de frequência”, conta o estudioso, praticante de viagens astrais e criador da maior comunidade do Orkut com o tema, Beraldo Lopes Figueiredo.

Apesar de a sensação de poder realizar uma viagem como esta ser fascinante, dificilmente se pode comandar o destino do corpo astral. “É fantasioso dizer que vamos passear onde queremos. Realizar uma projeção conscientemente e com lembranças já é difícil. E mais difícil ainda é controlar o destino dessa viagem”, afirma Figueiredo.
 

Perigos e descobertas

O risco que envolve as viagens astrais é um assunto contraditório. De acordo com o Instituto Internacional de Projeciologia e Conscientologia (IIPC), aparentemente não há problemas, partindo do princípio de que todos temos essa experiência pelo menos uma vez durante cada noite de sono. O estudioso Beraldo Figueiredo também acredita que não há riscos. “Não existe perigo de qualquer natureza em se projetar. Do contrário, teríamos milhares de mortos durante seus sonhos”, afirma.

No entanto, no espiritismo, que denomina essa experiência como Desdobramento Espiritual, as projeções podem ser perigosas, sim. “Despreparados, é possível deparar-se com espíritos desvirtuados, que podem provocar sofrimentos e controlar nossos passos”, alerta a diretora da FEB, Marta Antunes. Dessa maneira, no espiritismo, os desdobramentos ocorrem em reuniões focadas, tendo como finalidade o benefício do próximo.

Apesar de serem governados pelos mesmos princípios, os espíritas frisam que existe, sim, uma diferença entre o desdobramento, pregado pela religião, e a viagem astral, de conotação popular. O método espírita é natural e espontâneo, não lançando mão de rituais ou exercícios para obtenção. Na doutrina de Kardec, para realizar um desdobramento, é necessário estar num lugar tranquilo, afastado de ruídos. Depois, é preciso fazer uma prece e entrar em um estado de concentração. “Na sequência ocorre o transe, de forma espontânea e, com auxílio de espíritos desencarnados, afasta-se do corpo físico”, explica Marta.

Jornada consciente

Mesmos sabendo de possíveis riscos, aqueles que desejam realizar uma viagem astral lúcida e consciente devem saber que será preciso paciência e disciplina. Segundo Beraldo Figueiredo, que levou seis anos para ter sua primeira experiência consciente, é preciso ter controle emocional, para equilibrar as proporções de ansiedade e medo; controle mental, que envolve ordenação correta dos pensamentos; controle físico, para um relaxamento corporal adequado; e, por fim, conhecimento teórico do assunto, para evitar surpresas. “Viagem astral é um processo de autoconhecimento lento, mas seguro, em que se pode levar meses ou anos para se conquistar”, afirma o estudioso. “Nas projeções mediúnicas existe auxílio externo no plano astral. Já as projeções conscientes são experiências totalmente solitárias”, ressalta o estudioso.

Numa de suas experiências práticas, Figueiredo afirma que esteve no plano espiritual. “Eram duas horas da madrugada, soltei o corpo da cama e, em poucos minutos ele relaxou dos pés a cabeça. Depois, senti o estalo tradicional do desencaixe e o corpo decolou numa sensação maravilhosa. Meu psicossoma (espírito/corpo astral) se pôs de pé, perto da cama, onde estava meu físico, dormindo. Subi, atravessei o teto e pude ver as estrelas, a luz da noite, o contorno escuro da casa e das árvores. Segui subindo e voei, até que cheguei a um hospital. No entanto, percebi que não estava no plano físico. Estava numa ala de crianças, e um homem fazia graça para elas. Abria o paletó e dele saiam borboletas brancas que voavam até uma clarabóia de luz. Ele movimentava a mão e elas se uniam e se transformavam em passarinhos amarelos e voavam para depois se dissolverem no ar. Percebi que aquele homem manipulava com maestria a docilidade da matéria astral. Ele me olhou, piscou e disse: ‘é fácil fazer isso’. Apontou para a cabeça e completou: ‘está tudo aqui dentro...’.”. Quem sabe?
 

Antes de embarcar...

Para alcançar uma boa noite de sono, com sonhos ou viagens astrais, os espíritas recomendam realizar uma prece antes de dormir. De acordo com o espiritismo, “um bom pensamento vale mais do que um grande número de palavras com as quais nada tenha o coração”. A qualidade principal da prece é ser clara, simples e concisa. Para exemplificar, a obra O evangelho segundo o espiritismo traz uma oração dedicada ao momento de dormir. Acompanhe:

“Minha alma vai estar por alguns instantes com os outros Espíritos. Venham os bons ajudar-me com seus conselhos. Faze, meu anjo guardião, que, ao despertar, eu conserve durável e salutar impressão desse convívio”.