GANESHA, O DEUS COM CABEÇA DE ELEFANTE

GANESHA, O DEUS COM CABEÇA DE ELEFANTE

Famoso dentro e fora da Índia, o deus com cabeça de elefante é celebrado por sua natureza exótica e imenso poder de ação. Saiba mais sobre essa tão simpática e importante divindade

Texto • Thiago Perin
Fonte: Triada.com.br

"Ganesha é, certamente, a deidade mais popular da Índia". Quem atesta a fama da divindade é a cantora indiana Meeta Ravindra, radicada no Brasil há mais de 30 anos. “Lá, nenhum empreendimento se inicia sem invocar sua proteção”, explica. Tanta devoção não é à toa: Ganesha é tido como um organizador hábil, que remove todos os obstáculos e propicia o sucesso de quem o adora. Por isso, é muito comum encontrar sua imagem em paredes, portas e motivos decorativos por todo o território indiano, como uma forma de evocar proteção e energias positivas.

O deus com cabeça de elefante é o filho da bela deusa Parvati, que representa o mundo natural, com o todo poderoso Shiva, um dos principais deuses do hinduísmo. Ele é tido, por isso, como a união ideal do Supremo com a Natureza, o que lhe dá tanto poder sobre o que acontece no universo. Além de ter pais tão célebres, Ganesha foi presenteado com uma benção especial de Shiva: ele deve ser sempre a primeira entre as divindades a receber orações e oferendas dos hindus. Depois dele, os outros deuses têm sua vez.
 

Riqueza mitológica

E por que ele tem cabeça de elefante? No folclore hindu, que é riquíssimo, existem diversos contos que explicam esse fato curioso. A história mais famosa narra que a cabeça original de Ganesha, ainda menino, foi cortada pelo próprio Shiva em uma batalha violenta. Explicando melhor: Parvati precisava de alguém de total confiança para guardar sua porta enquanto se banhava. Por isso, criou, a partir de sua própria matéria, o menino Ganesha – consequentemente, também filho de Shiva. Ganesha mostrou-se um guardião fiel, impedindo a entrada até mesmo do pai todo-poderoso, o que provocou sua ira. Assim, Shiva decapitou o filho, sem ao menos saber quem ele era. Quando Parvati ficou sabendo do ocorrido, tamanho foi seu desespero que Shiva caiu em profundo remorso. Para remediar a situação, reviveu o menino dando a ele a cabeça do primeiro animal que encontrou por perto – um elefante, que, segundo Meeta Ravindra, é um símbolo hindu de inteligência e sabedoria.

No hinduísmo, cada deidade possui um atributo específico. Ganesha é largamente considerado o deus do conhecimento, além de ser o patrono das artes e da ciência. “Ele é o símbolo da onipresença, que representa a inteligência, o discernimento e a sabedoria, muito disso graças à sua cabeça de elefante. Está sempre em alerta e possui elevada consciência de tudo que está ao seu redor”, explica Meeta Ravindra.
 

Infindáveis nomes

Além de Ganesha, o deus da barriguinha protuberante atende por vários outros nomes (as escrituras sagradas citam listas de, pasmem, até mil formas diferentes de chamá-lo). Gajanana, Vinayaka e Ganapati estão entre os mais conhecidos. Este último, por exemplo, e como a maioria dos nomes hindus, pode ser desmembrado e compreendido em várias partes: de acordo com Meeta, "Ga" diz respeito a um grande intelecto; "Na", ao juízo; e "Pati" significa "o senhor". Ganapati, então, pode ser traduzido como “o senhor do intelecto e do juízo”. Cada um de seus nomes destaca uma qualidade diferente de Ganesha, acentuando sua completude e poder de ação.

E, com fama de comilão, Ganesha é descrito nos contos tradicionais como um verdadeiro apaixonado por doces, principalmente modaka e laddu. Por isso, todos os rituais em sua homenagem costumam ter uma grande variedade de guloseimas como oferendas, além dos típicos cantos, mantras e gestos de adoração. “Ofereça ao Senhor Ganesha o que o agradará e o que é o mais agradável para você”, diz Meeta. “Assim, ele lhe dará o juízo para pensar e a habilidade para tirar os obstáculos do caminho”.
 

Simbologia da divindade

Ganesha tem sido retratado em inúmeras esculturas e pinturas ao longo dos séculos: em algumas, aparece soberano, com ar imponente; em outras, passa um ar quase infantil, dócil e simpático. Seja qual for o traço de personalidade evidenciado, as obras que o representam em geral trazem símbolos alegóricos, seja nas mãos da divindade ou ao seu redor. Confira na figura a seguir o que os principais deles significam.