ÍCONES DA ÍNDIA: SÍMBOLOS E TRADIÇÕES

ÍCONES DA ÍNDIA: SÍMBOLOS E TRADIÇÕES

Lar de uma cultura de imensa profundidade, a Índia é um país repleto de cores, perfumes, crenças, misticismos e peculiaridades. Confira alguns de seus principais ícones e inspire-se com toda a magia que emana do Oriente

Texto • Thiago Perin

Fonte: Triada.com.br

Taj Mahal

A magnífica construção que volta e meia é usada para representar a Índia inteira é uma das maiores provas de amor da História. Foi construída entre 1631 e 1648 (segundo a lenda, por mais de 20 mil homens), a mando do imperador Shah Jahan. O romântico propósito por trás dele foi atender à vontade de uma de suas esposas, que, antes de morrer no parto do 14º filho, lhe pediu um mausoléu "como o mundo nunca vira igual". O pedido foi atendido e o Taj Mahal se ergueu, todo de mármore branco, ricamente ornamentado com pedras preciosas, folhas de ouro e prata, belíssimos jardins e versos do Corão escritos em caligrafia decorativa. Hoje, é provavelmente o símbolo mais famoso do país, atraindo turistas de todos os cantos do mundo.

 

 

Namastê

É uma das poucas palavras sânscritas que quase todo ocidental conhece. Quem nunca ouviu, seja em uma aula de yoga seja na TV? Namastê é um gesto de saudação que demonstra respeito e, mais ainda, a crença na existência do divino dentro de cada um de nós. Nama significa "reverência"; as significa "eu"; e te significa "você". Portanto, Namastê literalmente significa “eu faço uma reverência a você”. O gesto se faz juntando as mãos na região do peito, onde se localiza o chakra do coração, fechando os olhos e baixando levemente a cabeça. Outra maneira é juntar as palmas em frente ao terceiro olho (o ponto entre as duas sobrancelhas), baixar a cabeça e então levar as mãos ao coração. Por aqui, temos o costume de pronunciar “namastê” em conjunto com o gesto, mas na Índia acredita-se que o movimento em si já carrega o significado, não sendo necessário pronunciar qualquer coisa durante a reverência.

 

 

 

Vaca sagrada

“A grandeza de um país pode ser medida pelo modo como seus animais são tratados”, disse Gandhi, certa vez. Para os adeptos do hinduísmo (que representam a grande maioria dos indianos), essa máxima é seguida à risca quando se trata da vaca. Tidas como sagradas, as vacas passeiam tranquilamente pelas ruas da Índia, até morrerem de velhice. Matar uma delas? Para um hinduísta, em hipótese alguma. Isso porque eles consideram a vaca uma representação divina da vida em si, o que a torna, portanto, sagrada. No entanto, quem visita o país hoje em dia se depara com uma realidade que nem sempre protege o animal. Apesar de vagarem livres e intocadas pelas cidades, muitas vacas acabam se alimentando de lixo e sendo atingidas por carros nas principais avenidas da Índia. Na prática, o aspecto sagrado mantém-se forte apenas quanto à proibição da matança.

Om


 

O mais poderoso dos mantras, o Om é o som universal, infinito, a música do universo, carregando toda a essência da vida. É formado pelo ditongo das vogais “a” e “u” mais a nasalização que dá um som de “m” (por isso, muitas vezes aparece grafado como “aum”) – juntas, essas três letras correspondem aos três estados de consciência: vigília, sono e sonho. Como representação gráfica, é um dos símbolos mais sagrados da Índia, visto desde em portões a berços de recém-nascidos.

 

Shiva

Um dos mais importantes deuses do hinduísmo (que, com Brahma e Vishnu, compõe a Divina Trindade), ele é considerado o renovador, encarregado de destruir a natureza material no final do ciclo para dar lugar ao novo. Benevolente, Shiva defende os desprotegidos e conduz os ignorantes à luz. Alguns símbolos sempre estão presentes em suas representações: o tridente (chamado Trishula), arma com a qual destrói a ignorância dos homens; a cobra naja, que simboliza a imortalidade e a energia do fogo; e um jorro de água no topo de sua cabeça, que alude ao rio Ganges, sagrado para os hinduístas. Segundo a lenda, as águas do Ganges eram muito violentas e, por isso, não poderiam descer à Terra porque a destruiriam com a força do impacto. Então, para ajudar os homens, Shiva permitiu que o rio caísse primeiro sobre sua cabeça, para amortecer a queda, e depois correr livremente sobre a Terra.

 

 

Pintura nas mãos

Um dia antes de seu casamento, a noiva indiana tem mãos, braços e pés pintados por amigas e mulheres da família. Sua pele ganha a decoração de elaborados desenhos, cheios de beleza e significado. Chamada de mehndi, essa arte milenar de pintura corporal usa os grafismos de henna para, além de enfeitar a mulher, protegê-la e trazer boa sorte na vida nova que se inicia. Depois de feita, a tatuagem leva cerca de dez dias para sumir e, tradicionalmente, só é permitido à noiva retomar as tarefas domésticas após os desenhos terem desaparecido completamente da pele. Além de aparecer em casamentos, a pintura é utilizada também em ocasiões como enterros e batizados.

O terceiro olho

Por aqui, a moda do terceiro olho (bindi, para os indianos) está sempre indo e vindo. Na Índia, tradicionalmente aplica-se um ponto de cor vermelha bem no centro da testa – área em que está localizado o sexto chakra, ajna, responsável pela sabedoria. O objetivo é proteger a pessoa de demônios e espantar a má sorte, além de fortalecer a concentração e melhorar o fluxo de energia. No lugar do ponto vermelho também podem ser utilizadas pequenas joias, coladas sobre a pele.