IGREJA VERSUS SOCIEDADES SECRETAS

IGREJA VERSUS SOCIEDADES SECRETAS

IGREJA VERSUS SOCIEDADES SECRETAS

Repleto de histórias de perseguições seculares, mortes na fogueira e também muita fantasia, o relacionamento entre o Vaticano e a maioria das sociedades secretas tem sido de tudo, menos pacífico. Acompanhe

 

Texto • Thiago Perin



A ESSÊNCIA DAS ORDENS

Longe de buscar encrenca com a Igreja

A maçonaria é, oficialmente, uma sociedade com intuitos apenas filosóficos, com membros que cultivam e incentivam ideais como a filantropia, justiça, igualdade de classes, democracia e liberdade. A princípio, nada que vá contra os preceitos católicos. Mesmo os rituais e os símbolos que fazem parte da ordem – como o compasso, o esquadro e o grande “G”, que representa Deus –, não possuem conotações que vão contra a filosofia da religião. A oposição da Igreja à ordem se dá, principalmente, pelo secretismo que os maçons, por tradição, mantêm a respeito de suas reuniões.
 

Rosacruzes: mistura de crenças e filosofias

Influências da astrologia e da alquimia, caráter esotérico, explicações alternativas para a criação do universo e mais uma série de fatores essenciais colocam os membros da Ordem Rosacruz em profundo desacordo com o que defende o Vaticano. Contrariando os dogmas católicos, a organização despertou a inimizade do clérigo e sofreu perseguição violenta durante a Idade Média, quando muitos de seus defensores morreram queimados nas fogueiras da Inquisição.
 

Não uma, mas várias ordens de Illuminattis

O termo Illuminati (os iluminados, em latim) foi usado para denominar vários grupos diferentes ao longo da História. Entre eles, o mais popular é a Ordem dos Illuminati da Baviera, fundada em 1776 e composta por intelectuais e políticos europeus. O objetivo, oficialmente, era apenas discutir os rumos da sociedade da época. Sem causar qualquer tipo de comoção religiosa (ou mesmo política), o grupo se desmanchou poucos anos depois de sua fundação. Apesar dos Illuminati acreditarem em Deus, a filosofia da organização diz que não deve haver qualquer tipo de intermediação ou interferência no relacionamento entre Ele e o homem. Por isso, extinguir todos os grupos religiosos seria um pré-requisito para a instauração da Nova Ordem Mundial, um sistema social mais justo e equilibrado do que o atual – supostamente, o grande objetivo dos “iluminados”.
 

Os Templários e a Igreja: como um só

Fundada no rescaldo da Primeira Cruzada de 1096, com o propósito de assegurar a segurança dos cristãos que voltaram a peregrinar por Jerusalém após a conquista da cidade, a Ordem dos Templários ganhou o apoio total da Igreja Católica em torno de 1129. Durante muitos anos, as duas instituições trabalharam em conjunto. O sucesso dos Templários, no entanto, estava estreitamente vinculado ao das Cruzadas e, quando a Terra Santa foi perdida, o apoio à ordem desapareceu.

 

A VISÃO DA IGREJA

Se há algo a esconder, coisa boa não pode ser

A aura de mistério que paira sobre as reuniões maçônicas colocou a ordem em rota de colisão direta com o Vaticano, tanto que duas bulas papais condenando a maçonaria chegaram a ser emitidas, por Clemente 12 e Bento 14, ainda que os líderes não soubessem o que acontecia nos encontros dos maçons. Em 1983, quando comandava a Congregação para a Doutrina da Fé, o atual papa Bento 16 publicou um texto chamado Declaração sobre as associações maçônicas. “Os fiéis que pertencem às associações maçônicas estão em pecado grave”, escreveu.
 

Proteção contra a fogueira

A Ordem Rosacruz ganhou o caráter de “sociedade secreta” justamente para evitar represálias diretas da Igreja, já que na era medieval essa instituição possuía uma influência política enorme e não tinha pudores em queimar quem fosse contra seus credos. Bater de frente com o clero, portanto, não era uma boa ideia. De lá para cá, o secretismo acabou se tornando uma das principais características dos rosacruzes, ainda que a Igreja não tenha mais o poder de outrora.
 

Atuação por baixo dos panos

Há quem acredite, ainda que não haja evidências, que os Illuminati da Baviera continuaram suas atividades secretamente e seguem na ativa até hoje. Segundo esta crença, eles teriam participado de vários desdobramentos de episódios importantes da História, da eclosão da Revolução Francesa à fundação dos Estados Unidos, sempre trabalhando ativamente para tirar o poder social e político que ainda descansa nas mãos dos líderes da Igreja Católica. Com o sucesso do livro Anjos e demônios, a fama de “inimigos da Igreja” só cresceu. Na trama de Dan Brown, os Illuminati são estrategistas violentos que planejam um golpe para desestabilizar o Vaticano, sequestrando e aniquilando violentamente líderes do clero. Porém, sem que haja qualquer comprovação histórica de que as desavenças possam chegar a esse nível, a faceta antagonista não ultrapassa o universo da ficção.
 

De companheiros a inimigos mortais

Frente ao resultado negativo dos embates e à popularidade crescente dos templários (que ganhavam, também, cada vez mais poder) o rei Filipe IV, da França, começou a pressionar o Papa Clemente V a tomar medidas contra a ordem. A partir de 1307, muitos de seus membros foram detidos, torturados e mortos, até que, em 1312, o Papa Clemente dissolveu totalmente a sociedade – dando início às inúmeras especulações, que perduram até hoje, referentes ao paradeiro desses cavaleiros.

Fonte: Triada.com.br