MANDALAS DE AREIA: ARTE MEDITATIVA

MANDALAS DE AREIA: ARTE MEDITATIVA

MANDALAS DE AREIA: ARTE MEDITATIVA

Uma atividade que combina movimentos minuciosos, paz e concentração: assim é a criação de mandalas de areia. Enquanto as criam, monges budistas meditam e refletem sobre a transitoriedade da vida. Saiba mais

 

Texto • Redação

Concebidas pelos monges budistas tibetanos, as mandalas (palavra que, em sânscrito, significa círculo) de areia são representações universais que refletem a idéia do ciclo de vida e morte. Ao mesmo tempo em que evocam atributos iluminados, tais como paz e prosperidade, as circunferências que compõem uma mandala são distribuídas de forma a sugerir conceitos de unidade, totalidade e eternidade. Além disso, para diversas culturas, os desenhos circulares são associados com o estímulo à cura, ao ato de meditar e à manifestação de todos os aspectos sagrados da vida. 

Apesar de existirem variações, a representação dos cinco dhyani-buddhas comumente aparece no interior das mandalas, reforçando também a noção das Quatro Nobres Verdades. Mas, de qualquer maneira, a escolha e funcionalidade de cada tipo de mandala variam conforme a ocasião para a qual será confeccionada. Nas práticas de sadhanas, por exemplo, as mandalas são oferecidas aos budas e, por isso, são criadas com o intuito de representar a pureza e paz universal. 

Em busca de evolução interior

Na realidade, dentro das práticas budistas, as pessoas responsáveis por este trabalho têm a meta de desenvolver a capacidade de concentração, disciplina e paz interior. Portanto, o processo de confecção de uma mandala nada mais é do que uma forma de meditação que exige movimentos lentos, executados minuciosamente para que se atinja as formas tridimensionais da mandala previamente visualizada nas mentes de quem desempenha a tarefa.  

Isso explica porque as fases de criação de uma mandala são tão importantes quanto a concretização do projeto. Até que uma pessoa seja considerada apta a confeccionar este artefato são necessários anos de treinamento e um grande conhecimento, além de uma fase prolongada de meditação. No caso específico dos monges Tibetanos, o trabalho é ainda mais árduo, já que se dá a partir do manuseio de uma grande quantidade de grãos de areia.

Matéria-prima e desfecho da obra

Com freqüência, a riqueza de detalhes e a variedade de cores obtidas pelos criadores de mandalas de areia. conquistam a admiração de diversas pessoas. Montadas em uma superfície plana, estas mandalas são produzidas com areia colorida que é afunilada por um tubo de metal (Chag-Pur), por meio do qual torna-se possível construir circunferências precisas, além de formas tridimensionais.  

A areia utilizada neste processo é obtida a partir de pedras brancas moídas e tingidas com 14 cores diferentes. Aplicado nas mandalas, o resíduo final deste segundo processo é que confere uma coloração forte ao artefato. Com este material em mãos, os monges responsáveis pela confecção da mandala – sempre focados em atividade meditativa constante – podem levar até dois meses para concluir o trabalho, dependendo da complexidade do desenho. 
 

Impermanência da vida

Após finalizada, a mandala de areia pode ficar exposta por alguns dias, mas terá um desfecho fatídico: para representar o desapego e a impermanência da vida, o artefato é varrido ou destruído pelos próprios monges que a confeccionaram. Para eles, a finalização do artefato indica que o objetivo de conhecer o caminho para a iluminação foi alcançado. Logo, não há motivos para manter a obra intacta. Após o desmanche da mandala, a areia utilizada é lançada em um rio. Ao espalhar-se pela água, acredita-se que o material consiga levar bênçãos aos animais que ali vivem, bem como ao meio ambiente.

Fonte: Triada.com.br