MEDITAR: POR QUE VALE A PENA?

MEDITAR: POR QUE VALE A PENA?

MEDITAR: POR QUE VALE A PENA?

Se você está na dúvida sobre o que é meditação ou se deseja saber se deve mesmo se entregar à prática, veja o que aconselham Márcia De Luca e Lúcia Barros. No livro "Ayurveda: cultura de bem-viver", elas apontam bons motivos para fechar os olhos e serenar a mente. Confira um trecho da obra

 

Texto • Márcia De Luca e Lúcia Barros


 

Dhyana é a palavra sânscrita que significa meditação. É um dos três estágios de aquietamento mental. O primeiro é pratyahara, a abstração dos sentidos; o segundo é dhrana, a concentração; o terceiro é dhyana, manter a mente imóvel. Meditar é estar com o corpo relaxado e a mente alerta. É acionar o melhor de si. É calar a mente para ouvir a alma. É integrar corpo, mente e espírito.

Meditar não tem nada a ver com religião. Como tão bem coloca o psicólogo britânico John Clark em seu livro A Map of Mental States (“Um mapa dos estados mentais”): “A meditação é um método pelo qual a pessoa se concentra mais e mais sobre menos e menos”. Mas isso demanda perseverança. Principalmente num mundo em que recebemos continuamente milhares de estímulos sensoriais, em que somos pressionados a aprender cada vez mais e sempre há mais a aprender. 

Assim como precisamos nos livrar das toxinas acumuladas no corpo se quisermos ser fisicamente saudáveis, também temos que limpar as impurezas impregnadas em nossa mente, como medo, raiva, ansiedade e culpa – todas as emoções negativas que nos desequilibram e nos impedem de bem-viver. A conexão corpo-mente ainda leva essas emoções nefastas a se transformar em hormônios de estresse, causando também o envelhecimento precoce. Isso é classificado na Ayurveda como ama mental, a toxina mais perigosa que existe.

A mente apaziguada auxilia na prevenção de doenças, acelera a recuperação física e pode até curar. Meditar é também a melhor ferramenta para o autoconhecimento, o autodesenvolvimento e a realização espontânea dos desejos.

 

 

A origem da meditação tem mais de 5 mil anos e encontra-se numa prática da antiga Índia – o yoga. Trata-se de uma técnica ao mesmo tempo de concentração e de relaxamento. Em inglês, o estado meditativo é definido como restful alertness, que pode ser traduzido como “estado de alerta relaxado” – a mente fica alerta enquanto o corpo relaxa, ainda que a coluna se mantenha sempre ereta.O retrato científico da pouca potencialidade é a descoberta de que utilizamos, no máximo, 10% de nossa capacidade cerebral. Esse campo também é o início de todas as doenças – físicas e da alma.

Os campos da pura potencialidade e da pouca potencialidade são como dois quartos de uma mesma casa – a nossa casa, onde moramos. No primeiro quarto, a luz é permanente. No outro, a porta se fechou de tal forma que apenas réstias de luz são visíveis – uma lembrança de que existe a luz, ainda que ela não consiga entrar. A maioria dos seres humanos vive permanentemente nesse quarto escuro, alguns nem desconfiando de que há um quarto iluminado logo ali ao seu alcance, do outro lado da porta, dentro da sua própria casa. Outros, por sua vez, percebem, pelas réstias de luz, que existe um mundo diferente, ainda que não consigam enxerga-lo.

A meditação é a chave que destranca a porta entre os quartos, permitindo à luz banhar toda a sua casa, todo o nosso ser. Quando a casa inteira está repleta de luz, a vida se torna um milagre: o comum se revela extraordinário, o mundano vira sagrado, as pequenas coisas mostram seu imenso significado. Como isso acontece? Simples: no momento em que nos iluminamos, toda a nossa existência se ilumina também, ao passo que, quando estamos trancados na escuridão, o mundo inteiro fica escuro.

De forma bem resumida, meditar é um santo remédio: faz bem para o corpo, para a mente e para o espírito. O melhor: meditar não tem contra-indicação – lembremos, porém, que pessoas que sofrem de distúrbios mentais, como esquizofrenia, devem consultar um médico antes de iniciar a prática. Todo mundo pode praticar, em qualquer idade – em geral, é possível ensinar crianças a partir dos 7 anos, mas pais que sejam mediadores regulares são acompanhados por seus filhos até antes disso.

Fonte: Triada.com.br