PALAVRA DE ESPECIALISTA: MÁRUA PACCE

PALAVRA DE ESPECIALISTA: MÁRUA PACCE

PALAVRA DE ESPECIALISTA: MÁRUA PACCE

Com 34 anos de dedicação ao yoga, a professora Márua Pacce convida você a conhecer sua trajetória e o que tanto a encanta nessa filosofia milenar. De quebra, dá dicas importantes para quem está começando agora. Pode entrar!

 

Texto • Sílvia Sibalde

Márua, como foi que teve início a sua história com o yoga?

Aos 16 anos, fui convidada por uma amiga para experimentar uma aula. Resisti, argumentei total desconhecimento, mas finalmente fomos as duas para a primeira aula. Ao chegar à sala, já fui capturada no primeiro momento. O ambiente silencioso e o convite para estar consigo mesmo foram arrebatadores para mim.

Havia uma familiaridade em cada conteúdo que me era apresentado, um sentimento, como eu costumo dizer, de “ter chegado em casa”. Um mundo novo se abriu para mim. Interessei-me desde então por todos os aspectos do yoga: sua ética, filosofia e mística oriental. Após um período de muita dedicação como aluna, fui convidada pela diretora do espaço onde praticava a me tornar uma professora. Frente a este enorme desafio, mergulhei de corpo e alma. Ao final de um curto período de prática, fiz minha primeira viagem à Índia. Isso foi em 1976.

Sonhava com Ganesha, o deus com cabeça de elefante, chamando por ele enquanto dormia. Entendi, então, que quando pudesse abrir um espaço – e já havia este desejo naquele momento –, deveria ser dedicado a Sri Ganesha, aquele que remove os obstáculos com sua tromba.

Foi assim que o Núcleo de Yoga Ganesha nasceu, em 1982. A experiência diária e o processo de mudança observado em mim mesma e também em meus alunos fizeram com que eu deixasse a carreira de historiadora e buscasse na psicologia mais ferramentas que pudessem me aproximar do crescimento do indivíduo.
 

É possível tornar-se um praticante de yoga sem se aprofundar no conhecimento da cultura indiana?

A cultura ocidental, no seu frenesi de novas experiências, acaba criando uma amputação, um retalhamento. Claro que é possível ficar apenas com um dos aspectos do yoga – como, por exemplo, a prática dos asanas –, mas certamente não é o ideal. Yoga é uma proposta de integração. Literalmente, “yoga” significa reunir, pôr junto, e não podemos atingir o estado unitivo por meio de cortes e dicotomias. A filosofia do yoga é tão bela e vasta que naturalmente nos sentimos atraídos pelo seu simbolismo e tradição.
 

Quais são as primeiras mudanças que você observa em um iniciante na prática?

Os resultados da prática são variados, mas com frequência posso dizer que a respiração se libera, criando mais vitalidade, os olhos brilham e o corpo como um todo ganha tônus e elasticidade. Não podemos nos esquecer de que uma coluna bem trabalhada é parte da manutenção da nossa juventude. Há também muitos relatos de um sono mais profundo e reparador. As mudanças se refletem, ainda, num estado interno de mais confiança e determinação. Do corpo físico ao corpo emocional e mental, os benefícios são imensos, mas devem estar sempre atrelados à disciplina e à constância.
 

Quais são suas recomendações para quem está começando agora a praticar yoga?

Somos cidadãos cheios de pressa e ansiedade. A prática do yoga deve ser um convite para a observação atenta e relaxada. Observação de si mesmo, do outro, do mundo. Os fundamentos da ética do yoga – como, por exemplo, uma dose de amor por si mesmo (ahimsa) – devem reger nosso dia a dia. O trabalho com o corpo deve ser progressivo e dentro de uma organização que traga saúde e bem-estar ao praticante. Isto inclui a observação dos limites de cada um, o respeito por si mesmo. Esta cidadania está em primeiro lugar em cada um de nós e se refletirá invariavelmente nos nossos relacionamentos. 

Fonte: Triada.com.br