POR DENTRO DA PSICANÁLISE

POR DENTRO DA PSICANÁLISE

POR DENTRO DA PSICANÁLISE

Existe mesmo o divã? A hipnose continua sendo utilizada nas sessões? Como saber quando é hora de encerrar a análise? Ela algum dia chega ao fim? Desvende, agora, esses e outros pontos essenciais da técnica cunhada por Freud

 

Texto • Thiago Perin


 

Analista e paciente

Começando a sessão, o trabalho do analista consiste, quase unicamente, em ouvir o paciente. Concentrado, o profissional se mantém atento e vai ligando os pontos, considerando os relatos, atitudes e, quando necessário, os sonhos da pessoa analisada – assim, ela é estimulada a recordar fatos antigos, visitar as origens de possíveis sintomas desagradáveis que esteja vivenciando e rever sua própria história particular.

Segundo a psicanalista Alice Bittencourt, antigamente recomendava-se não fazer perguntas ao paciente, mas hoje isso é diferente. “Diziam que, se o paciente soubesse de alguma coisa, ele diria”, observa. “Mas não se pergunta sobre o inconsciente, e sim sobre o significado das experiências emocionais, o que representaram, para que assim a pessoa detenha ela mesma o olhar sobre o que acabou de dizer”, explica Alice.

 

Duração da análise

É impossível definir a duração ideal para a análise, já que cada caso é um caso. No entanto, o próprio Freud afirmou – em sua obra Análise terminável ou interminável?, de 1937 – que o tratamento deve ter início, meio e fim. “É um equívoco manter a análise interminável. Deve haver um limite do processo psicanalítico, como em qualquer outro processo terapêutico”, concorda o psicanalista Theodor Lowenkron, professor da Faculdade de Medicina da UFRJ, em seu livro Psicanálise interminável ou com fim possível? (Editora Imago).

“Quando trabalhamos com a ideia de que a análise terminará, a intensidade do trabalho é maior e o indivíduo tem a expectativa de que pode vir a solucionar os seus problemas e adquirir condições de lidar sozinho com seus futuros conflitos”, explica. E como saber qual é o momento de parar? Segundo Lowenkron, é, de fato, quando o analista percebe a superação significativa dos sintomas iniciais do paciente, e a melhora em sua qualidade de vida. “Embora, é claro, não haja a expectativa de que todos os problemas desapareçam para sempre e por completo”.

 

Existe mesmo o divã?

O hábito de deitar o paciente sobre um divã constitui uma das características mais marcantes do método psicanalístico fundamentado por Freud. O objetivo, além de confortar e relaxar a pessoa que está sendo analisada, seria mantê-la distante de estímulos como o olhar e as possíveis expressões faciais do analista. Outro hábito popular de Freud era pedir ao paciente que fechasse os olhos. Isso propiciaria a auto-observação e a emergência dos pensamentos sobre os quais se vai trabalhar, como aponta o mestre em sua obra mais conhecida, A interpretação dos sonhos, de 1900.

“É de supor que a injunção de fechar os olhos tivesse o sentido de contribuir para reduzir ainda mais os estímulos externos, favorecendo dessa maneira o movimento associativo”, explica o doutor em filosofia Renato Mezan, professor da PUC-SP, em seu livro Interfaces da psicanálise (Companhia das Letras). Atualmente, há psicanalistas que adotam o divã, assim como outros que preferem utilizar um amigável sofá ou poltrona em seu lugar.

 

Uso da hipnose

A hipnose ainda hoje é utilizada por alguns profissionais da psicanálise – apesar de ter sido considerada ineficiente e abandonada por Freud – principalmente na chamada “terapia regressiva”. Essa técnica se vale do “estado alterado de consciência” (como os psicanalistas definem o estado hipnótico) do paciente para levá-lo de volta a certo episódio do passado e, assim, trazer à tona possíveis traumas antigos que continuam exercendo influência em sua vida adulta.

Fonte: Triada.com.br