SERÁ QUE EU SOU MÉDIUM?

SERÁ QUE EU SOU MÉDIUM?

SERÁ QUE EU SOU MÉDIUM?

O que faz de uma pessoa um médium? Quais são os sinais de mediunidade? E como trabalhar com este poder? Descubra as respostas para estas e outras questões agora

 

Texto • Lívia Filadelfo

O dom da mediunidade é tão antigo quanto o mundo. Os profetas eram médiuns e todos os povos tiveram seus médiuns. As inspirações de Joana D’Arc, por exemplo, nada mais eram do que a voz de espíritos benfeitores. A mediunidade sempre esteve presente ao longo da história. No passado, o fenômeno ocorria de forma natural e inconsciente, em geral, sem a necessidade de estímulos externos e era cercado de mistificações. Mas, afinal, o que é a mediunidade e como ela acontece?

“O médium é uma espécie de intermediário entre o mundo físico e o espiritual. O intercâmbio mediúnico ocorre por meio do pensamento. Trata-se de uma ‘ligação mental’ estabelecida entre o espírito comunicante e o espírito do médium receptor”. A explicação é apresentada no livro Curso de educação mediúnica, da Federação Espírita do Estado de São Paulo.
 

Todos temos o dom

Foi justamente com o Livro dos médiuns, escrito em 1862, que Kardec consolidou a concepção a respeito da capacidade de comunicação entre os planos físico e espiritual como uma aptidão que pertence a todos. Ele introduziu o conceito de mediunidade como uma faculdade abrangente e irrestrita, e não como um dom especialmente destinado a poucos escolhidos. “Toda pessoa que sente a influência dos espíritos, em qualquer grau de intensidade, é médium”, escreveu Kardec.

 

Isso quer dizer que todos os homens são suscetíveis à influência dos espíritos em seus pensamentos. Em O livro dos espíritos, Kardec responde à pergunta sobre a influência dos espíritos no pensamento dos indivíduos da seguinte forma: “ela é maior do que supondes, porque muito frequentemente são eles (os espíritos) que vos dirigem”. Contudo, Kardec esclarece que a mera influência não caracteriza a mediunidade. Para ser médium, é preciso expressar a interação com os espíritos por meio de “efeitos patentes e com uma certa intensidade”. E essa manifestação, segundo ele, independe de qualquer tipo de fé ou religiosidade. “Vimos pessoas completamente incrédulas ficarem espantadas ao escreverem sem querer, enquanto crentes sinceros não o conseguiam”, relata Kardec.

 

Graus de mediunidade

A mediunidade não se manifesta da mesma forma em todas as pessoas. “Os médiuns têm, geralmente, aptidão especial para esta ou aquela ordem de fenômenos, o que os divide em tantas variedades quantas são as espécies de manifestação”, explica Kardec no Livro dos médiuns. Contudo, foi estabelecida uma classificação geral levando-se em consideração as semelhanças entre as causas e os efeitos das manifestações mediúnicas. Assim, elas podem ser classificadas como as de médiuns de efeitos físicos e as de médiuns de efeitos intelectuais.

Na primeira categoria estão aqueles indivíduos que têm o poder de provocar fenômenos materiais, como movimentação de corpos inertes, produção de sons, rotação de objetos, suspensão de corpos pesados no espaço e, mais raramente, aparições, entre outros. Já os médiuns de efeitos intelectuais são mais especialmente aptos a receber e transmitir mensagens dos espíritos por meio da psicofonia (ou médium falante), psicografia (transmissão das mensagens pela escrita), audiência (são aqueles que ouvem a voz dos espíritos), vidência (capazes de ver os espíritos), entre outras formas.

É, muitas vezes, difícil de estabelecer um limite entre os efeitos mediúnicos físicos e intelectuais, mas, de maneira geral, pertencem à segunda categoria aqueles indivíduos que servem como instrumentos para comunicações que mostram-se regulares e contínuas.

Sintomas e manifestações

O desenvolvimento mediúnico consiste na ampliação da sensibilidade do médium em relação às mensagens enviadas pelos espíritos. O médium iniciante também deve recorrer à educação mediúnica que visa preparar o indivíduo para, por meio da mediunidade, contribuir para o progresso moral da humanidade e para o seu próprio aprimoramento espiritual.

“A mediunidade é uma faculdade que poderá ser estudada, conhecida com profundidade e vivenciada na prática – sob controle e intensidade devidamente dosados por meio de aulas práticas – e treinada para um uso disciplinado”, ensina o livro Curso de educação mediúnica.

Pelo desenvolvimento da mediunidade e o estudo da doutrina espírita, aperfeiçoa-se a sua capacidade mediúnica e atua no tratamento de problemas espirituais, doenças físicas e distúrbios emocionais e psíquicos pela técnica conhecida como apometria (viagem astral ou experiência extracorpórea).

E mesmo aos médiuns mais experientes, a recomendação é de sempre agir com cautela. “Seria um grande erro considerar-se dispensado de novas instruções. (O médium) sempre necessitará dos conselhos da prudência e da experiência, se não quiser cair nas mil armadilhas que lhe são preparadas. Se quiser voar muito cedo com suas próprias asas, não tardará em ser enganado pelos espíritos mentirosos que procurarão explorar-lhe a presunção”, alerta Kardec no O livro dos espíritos.

Primeiros registros conscientes

Em meados do século 19, Allan Kardec era essencialmente um pesquisador e foi com essa postura que ele se interessou pelo caso das mesas girantes, um curioso fenômeno sobrenatural que virou um verdadeiro passatempo nos nobres salões europeus daqueles tempos. As mesinhas giravam sem causa aparente respondendo perguntas das pessoas presentes por meio de pancadas.

Em uma destas manifestações, os espíritos revelaram serem os agentes dos fenômenos, o que nem sequer se imaginava até então. E foram eles que sugeriram uma forma mais eficaz de comunicação, aconselhando os presentes a disponibilizarem um lápis devidamente preso a uma cesta ou qualquer outro objeto sobre uma folha de papel.

Organizados conforme sugerido, o lápis e a cesta começaram a se movimentar pela mesma força oculta que fazia girar as mesas. O lápis desenhava letras, formando palavras, frases e até discursos inteiros de muitas páginas tratando das mais altas questões de filosofia, moral, metafísica, psicologia, entre outros assuntos. Esse fenômeno ocorreu em Paris, em 1853. “A cesta não pode ser posta em movimento senão sob a influência de certas pessoas, dotadas para isso de um poder especial e que se designam pelo nome de médiuns, ou seja, intermediários entre os espíritos e os homens”, escreveu Kardec no Livro dos médiuns.

 

Mais tarde, reconheceu-se que a cesta nada mais era do que um apêndice da mão, e o médium, tomando diretamente o lápis, poderia escrever por um impulso involuntário e quase febril. Por este meio, as comunicações se tornaram mais rápidas, mais fáceis e mais completas. Com o tempo, a experiência e os trabalhos de comunicação com o plano espiritual revelaram outras formas de manifestação mediúnica, além da psicografia, como a psicofonia, a audiência e a vidência.

Fonte: Triada.com.br