SEXO TÂNTRICO: O PRAZER DIVINO

SEXO TÂNTRICO: O PRAZER DIVINO

SEXO TÂNTRICO: O PRAZER DIVINO

Além de aprimorar o desempenho sexual e aprofundar o relacionamento com o parceiro, o "sexo divino" oferece a possibilidade de um prazer nunca antes experimentado

 

Texto • Júlia Reis

Longas carícias, beijos demorados e um contato físico que leva horas. Toda a energia sexual dos parceiros aumenta, mas nunca se chega ao orgasmo. O que pode parecer uma privação ou decepção é, no sexo tântrico, o caminho para sensações ainda mais fortes.

Esta forma de se relacionar tem origem no tantra, espécie de filosofia comportamental originária da Índia há mais de 3 mil anos, que valoriza a mulher e os sentidos.

De acordo com sua sabedoria, a relação sexual é sagrada: uma forma de manifestar conjuntamente a energia feminina e masculina, representadas pelos deuses Shiva (pólo masculino) e Shakti (pólo feminino). Cada parceiro enxerga o outro como um ser divino e busca atingir uma transcendência, que pode ser chamada de iluminação ou hiper-orgasmo.

Dessa forma, o sexo é apenas o meio e não um fim em si mesmo, e o foco deixa de ser a ejaculação. Para os tantristas, longe de ser um inconveniente, isso acaba signifi cando muito mais prazer e entrega. Além disso, segundo eles, o orgasmo dispersa a energia acumulada durante a relação sexual e a ejaculação é a solução apenas para uma angústia momentânea.

No sexo tântrico, os praticantes conseguem conservar esta energia sexual dentro do corpo. Sem o encerramento rápido da relação com o gozo, ela percorre os sete chakras (pontos por onde a energia vital circula nas pessoas), subindo até chegar à cabeça, unindo consciência e prazer em uma sensação de clímax que pode durar horas ou até mesmo dias.

Esta prática acaba aumentando a potência sexual, a sensibilidade do corpo e a criatividade. Aplicado por terapeutas sexuais, é bastante utilizada para resolver problemas de ejaculação precoce ou falta de desejo sexual.

Primeiros passos

Não existe um manual de instruções para se iniciar no tantra. Literatura específica e estudo são fundamentais para entender a fundo o assunto, mas os iniciantes já podem desfrutar de alguns dos ensinamentos básicos.

É importante ter disposição para encarar o sexo de maneira diferente e abandonar a ejaculação como encerramento importante na relação. O prazer no sexo tântrico não está relacionado apenas a segurar o orgasmo, mas a deixar de lado o anseio por esta forma de gozo que aprendemos.

Abrir a mente e o corpo para este fluxo de energia com mantras, visualizações e meditação, por exemplo, é uma alternativa para começar, assim como criar uma atmosfera de amor verdadeiro, harmonia e cumplicidade.

Vale apostar em incensos, óleos de massagem, velas, ou o que mais o casal desejar para despertar os sentidos e tornar o momento mais prazeroso e íntimo. A troca de olhares e carícias, sem pressa, precede o que será uma “meditação a dois”.

Não há posições sexuais específicas no sexo tântrico – ele não tem uma relação direta com o kama sutra, embora sejam muito confundidos. Os praticantes recomendam, porém, que a mulher fique por cima do homem, ou que os dois fiquem em posição de lótus (sentados, de frente para o outro) com a cabeça apontada para cima, facilitando a canalização de energia.