SÍMBOLOS AUSPICIOSOS DO BUDISMO

SÍMBOLOS AUSPICIOSOS DO BUDISMO

Conheça os 8 símbolos auspiciosos do budismo tibetano: imagens capazes de proporcionar o bem, incentivar a prática meditativa e nos fazer aspirar à iluminação

 

Texto • Isis Gabriel e Otávio Nagoya

Pense em uma cruz. Assim, de imediato, qual o significado desta imagem para você? Cristo, cristandade, igreja? Para nós que vivemos em um país essencialmente cristão, esta é interpretação mais recorrente. E para quem é cristão, olhar para uma cruz é também lembrar o martírio pelo qual Jesus passou, meditar sobre seu sofrimento e seu legado. Da mesma maneira que o cristianismo, outras religiões e filosofias também têm seus símbolos e imagens capazes de transcender barreiras de idioma e tempo, e com isso, transmitir suas histórias e ensinamentos. No budismo, e em particular no budismo tibetano, não é diferente.

Além das estátuas e desenhos de Buda, na iconografia sagrada tibetana existem os símbolos especiais, chamados auspiciosos – imagens que trazem boa sorte e esperança a quem as faz ou apenas as admira. Segundo as escrituras, esses símbolos foram ofertados a Buda Sakyamuni depois de sua iluminação, como forma de reverenciá-lo. Cada um deles (os quais você vê espalhados nessa e na próxima página) traz implícito os principais atributos de Buda e sua filosofia. Assim, os homens que conhecem e têm por perto tais imagens são protegidos e abençoados.

Estes desenhos são comumente encontrados em templos e altares domésticos, mas podem ser dispostos em qualquer local e ambiente onde há intenção de trazer seus bons auspícios. Mas existem locais mais indicados para potencialização de energia deles (veja na descrição de cada símbolo onde você pode colocá-los). O interessante é que os benefícios proporcionados por estas imagens são sentidos mesmo por quem não é budista.

A artista plástica Suzana Uribarri, praticante do budismo, conta que, mesmo sem conhecer absolutamente nada sobre os símbolos budistas, qualquer pessoa que vá a um local onde está exposta uma pintura deste tipo é capaz de captar boas vibrações. “Isto porque a sensação de proteção está presente mesmo que a pessoa não saiba”, fala Susana.

 

 

Meditação com pincéis

Susana Uribarri, que ensina pintura tibetana na cidade de São Paulo, conta que para cada pessoa, existe um símbolo que traduz melhor seu estado de espírito em um determinado momento de vida. “Por este motivo, quando vou ensinar um aluno, prefiro até que ele não saiba muito o significado de cada imagem, assim a escolha do símbolo ele vai pintar torna-se espontânea, intuitiva e inconsciente”, afirma. Portanto, antes de ler as descrições dos símbolos nas páginas seguintes, é interessante dar uma passada de olhos em cada um deles e escolher aquele que você mais gosta. A imagem selecionada é aquela a qual você está mais conectado atualmente e, portanto, traz mais significação à sua vida agora.

Para que esta escolha seja ainda mais verdadeira, Susana convida seus alunos a meditar, assim a mente fica mais serena e aberta às boas decisões. Depois, é iniciada a pintura. Por se tratar de uma arte sacra, existe toda uma preparação do ambiente, onde são abençoados os materiais que serão usados, como tintas e pincéis, e também o próprio artista. Faz-se a leitura de textos sagrados e recita-se mantras como forma de garantir o sucesso da atividade. Depois da sessão de pintura, são feitas preces para oferecer os méritos e para agradecer a ação virtuosa praticada e, finalmente, toda a arte produzida é dedicada sempre para o benefício de todos os seres. “O ritual é importante. Lógico que a pessoa pode simplesmente pintar da mesma maneira que eu posso fazer qualquer desenho somente pelo sentido estético, quer dizer, também tem um valor, mas é um valor relativo, já que ao agir assim vou limitar minhas possibilidades”, comenta a artista plástica.

O desenho dos símbolos obedece a proporções e formas definidas que devem ser respeitadas, da mesma maneira, que deve ser seguido o padrão de distribuição de cores da pintura. Cada cor remete a um elemento da natureza e a combinação delas deve estar em perfeita harmonia. O vermelho corresponde ao fogo, o verde ao elemento ar, o azul ao espaço, o branco à água e o amarelo à terra. E cada cor também está relacionada a um ponto cardeal. O traço pessoal do artista entra especialmente no plano do fundo, nos ornamentos e elementos decorativos.

O ato de pintar um símbolo auspicioso é também uma forma de meditar. “Enquanto estamos desenhando, a consciência tende a ficar mais concentrada, então, chega uma hora que não existe delimitação entre o que é meditar e o que é pintar”, revela Susana.  “Cada um desses símbolos gera condições auspiciosas para quem os faz e quem os admira. Chamamos de auspiciosos, porque os méritos dessas pinturas não se perdem nunca, são tão poderosas que duram para outras vidas”, finaliza.

Agora, confira, nas páginas a seguir, um pouquinho sobre cada um dos 8 símbolos auspiciosos do budismo.

Duk: o precioso parassol

História

É uma espécie de guarda-sol que foi oferecido a Buda pelos seres celestiais para proteger sua cabeça.
 

Significado

Traz o benefício de proteger todos os seres do sofrimento, das doenças, dos perigos e obstáculos que podemos encontrar nesta e em outras vidas. Protege de doenças relacionadas ao calor, como febres e aflições. É uma barreira contra os inimigos internos e externos, além de atrair as qualidades dos budas e bodisattvvas.
 

Sugestão de onde colocá-lo

Em altares ou na porta de entrada da casa.

Sernia: os peixes dourados

História

Segundo o relato dos sutras, o sernia foi oferecido aos olhos do Buda para homenagear sua capacidade de olhar sempre por todos os seres, assim como os peixes que nunca fecham os olhos.
 

Significado

Os peixes representam a liberdade de movimento e adaptação às mais difíceis situações do samsara (o ciclo da nossa existência, marcada pela vida, morte e renascimento). Simbolizam a qualidade dos seres que valentemente são capazes de nadar no Oceano do samsara sem se afogar no sofrimento e na insatisfação. Ele é muito efetivo para realizar os desejos.
 

Sugestão de onde colocá-lo

Biblioteca, escritório ou local de estudo.

Bumpa: o vaso precioso

 

História

O vaso precioso ou o jarro cheio de tesouros foi oferecido como homenagem para a fala de Buda, que como a água que sempre jorra de um vaso, a sabedoria que ele emana não tem fim.
 

Significado

Representa todas as mudanças benéficas experimentadas em nossa vida e que por meio da prática do Dharma podemos rumar à iluminação. Riquezas como boa saúde, longa vida e conforto material estão contidos neste símbolo.
 

Sugestão de onde colocá-lo

Um ótimo lugar para o vaso precioso é bem no centro da casa.

Pema: a flor de lótus

História

Foi oferecida em homenagem à língua de Buda que é muito fina e macia como as pétalas de lótus.
 

Significado

A flor de lótus nasce e vive imersa nas águas lodosas e mesmo assim, ao florescer, é perfeita e imaculada, como nós que mesmo vivendo no oceano de samsara podemos atingir a iluminação se praticarmos o Dharma. Refere-se também à pureza e à beleza dos atos inspirados pela bondade.
 

Sugestão de onde colocá-lo

Local onde há pureza, como templos ou ambiente de introspecção e meditação.

 

Dunkar: concha com a espiral à direita


 

História

Oferecido a Buda como homenagem a seus dentes, muito branco e brilhantes, como a madrepérola da concha.
 

Significado

A concha que se enrola à direita simboliza o som melodioso e profundo dos ensinamentos do Dharma. Assim como o som do Dunkar, o Dharma chega a todos os seres e lugares despertando tudo do sono profundo da ignorância. Pintar e oferecer esta imagem cria condições propícias a um renascimento com muita fama e admiração positiva. 
 

Sugestão de onde colocá-lo

No saguão de entrada de casas e templos.

Pel-beu: o precioso cordão, o nó infinito

 

História

Foi presenteado a Buda para homenagear as qualidades do seu coração e de sua transcendente sabedoria, além de sua clarividência, que o tornava capaz de saber o passado, o presente e o futuro.
 

Significado

Representa a recíproca interdependência do Dharma e da vida cotidiana, do samsara e do nirvana. A união da sabedoria e da compaixão. Cria condições propícias para o aumento das qualidades da vida e das virtudes das vidas futuras até a iluminação.
 

Sugestão de onde colocá-lo

Parte frontal do altar e locais que inspiram espiritualidade.

Gieltsen: o estandarte da vitória

 

História

Oferecido a Buda para homenagear as qualidades do seu corpo, que subjugou todos os demônios.
 

Significado

Simboliza o sucesso do corpo, fala e mente do praticante do Dharma sobre os obstáculos e distrações, triunfando sobre os quatro demônios da ignorância, da agitação, do sono e da absorção.
 

Sugestão de onde colocá-lo

No telhado de templos e casas.

Kor-lo: a roda do Dharma

História

Presente dado a Buda como reconhecimento das qualidades de seus pés e mãos, que têm nas plantas e palmas a forma da roda do redemoinho com mil raios, ou seja, a roda do Dharma, que lhe confere o poder de subjugar seus inimigos não pela força e por guerras, mas por meio da santa lei e de sua sabedoria infinita.
 

Significado

Simboliza os resultados auspiciosos que se adquire ao colocar em movimento a preciosa doutrina de Buda. Assim, seguindo estes ensinamentos, abre a possibilidade a todos os seres experimentar a libertação total do sofrimento.
 

Sugestão de onde colocá-lo

Na parte superior de portas e portões.

Fonte: Triada.com.br