SLOW MOVEMENT: FAZER MELHOR E DEVAGAR

SLOW MOVEMENT: FAZER MELHOR E DEVAGAR

SLOW MOVEMENT: FAZER MELHOR E DEVAGAR

O slow movement é a filosofia que tem como lema o velho ditado: “a pressa é inimiga da perfeição”. A seguir, conheça melhor essa ideia e descubra por que ela já virou uma tendência mundial

 

Texto • Vanessa Reis


 

Tentar controlar o tempo a todo instante e dividi-lo em zilhões de partes para dar conta de mais e mais afazeres é um hábito tão cotidiano que, por vezes, nos passa despercebido. Nossa dinâmica de vida exige sempre mais e mais da nossa agenda: trabalho, casa, academia, faculdade, curso extra aos sábados, curso de férias... E, no fim do dia, ainda reclamamos das poucas 24 horas. E desacelerar? Você já pensou na possibilidade de fazer tudo na sua devida velocidade?

Se acha que a vida anda corrida demais, você pode se juntar aos adeptos de um movimento chamado slow. A palavra significa "devagar" e a filosofia abrange diversas atividades rotineiras, desde a alimentação e o trabalho, até o sexo. Tudo, segundo sua proposta, feito mais vagarosamente, com atenção e dedicação à atividade desempenhada. Assim, a qualidade do ato e o bem-estar de quem o pratica sobe às alturas.

O precursor de todas as práticas "devagar" foi o slow food, iniciado após um protesto contra a abertura de uma unidade do McDonald’s na Praça da Espanha Romana, na Itália, em 1986. O mentor do movimento foi o italiano Carlo Petrini, hoje presidente da associação Slow Food movement, que, desde então, apregoa a degustação sossegada e a tradição gastronômica local, no lugar do fast-food desregrado. A partir daí, surgiram as diversas modalidades slow.

O principal responsável pela difusão mundial do slow movement é o jornalista Jean Carl Honoré. O escocês chegou à conclusão de que precisava diminuir o ritmo quando seus filhos começaram a reclamar que ele demonstrava impaciência ao lhes contar histórias na hora de dormir. O toque dos pequenos foi o que ele precisava para começar a repensar seus hábitos – e, assim, fazer tudo mais devagar e melhor.

A mudança foi tão válida que Honoré escreveu o livro Devagar – como um movimento mundial está desafiando a cultura da velocidade (Editora Record), sucesso de vendas em vários países. Nele, o jornalista diz que o importante na vida é equilibrar os momentos nos quais é preciso ser rápido com os momentos de tranquilidade e os de ócio, também necessários em nossa rotina.

Segundo ele, para adotar a filosofia slow, o primeiro passo é compreender e aceitar que não é possível fazer tudo. A partir daí, devemos cortar as atividades que não são realmente necessárias: recusar alguns convites, assistir menos TV, cancelar alguns curtos extras, diminuir o horário de trabalho...

Outro passo importante para os cabeças da filosofia é relacionar-se menos com as máquinas, esquecer por alguns momentos que existem computadores, celulares, laptops e videogames. O silêncio, alcançado pelo desprendimento aos vícios, aos excessos e aos eletrônicos, induz à reflexão e é necessário para a recarga de nossa energia. Honoré, por exemplo, passou a fazer meditação todos os dias após o toque dos filhos. Você também pode optar por essa prática, pelo yoga, por uma caminhada tranqüila (de preferência, sem o celular), por uma imersão na banheira ou por cuidar das plantas, só para citar algumas possíveis distrações bastante benéficas.  “Priorizando a qualidade em vez da quantidade de realizações, conservamos o bem-estar e a felicidade plena”, diz o mentor.

Conheça, a seguir, algumas das principais modalidades slow praticadas no Brasil e no mundo.

 

 

Slow Food (comer devagar)


 

É o que mais tem adeptos ao redor do mundo, representado inclusive no Brasil. Aqui, quem divulga o movimento são os Convivia, grupos formados por associados de cada região do país, que realizam palestras, campanhas de proteção aos alimentos locais e campanhas informativas para treinar chefes de cozinha, pequenos produtores e também a população.

O grande pilar dessa filosofia do “comer com prazer e qualidade” é a ecogastronomia, que se preocupa com a preservação da natureza e também com a representatividade histórica, social e artística que cada alimento tem.
Já na mesa, reunir amigos, degustar com atenção, apreciando cada sabor – e não de olho na TV, por exemplo –, além de fazer as refeições sentado e com calma, são práticas recomendadas para tornar o ato de comer ainda mais prazeroso.

Slow Cities (cidades devagar)


 

 

As cidades do bem-viver (como são conhecidas por aqui) são espaços que levam o título slow após receberem uma certificação internacional, dada às cidades com menos de 50 mil habitantes que preenchem uma lista de aproximadamente 50 requisitos. Entre eles, destacam-se o cuidado com o meio ambiente, a sustentabilidade, a preservação da cultura e dos patrimônios históricos, a prioridade aos pedestres, em vez dos veículos motorizados, e a valorização dos produtos e produtores locais. No Brasil, há duas cidades certificadas: Tiradentes (MG) e Antônio Prado (RS).

 

Slow Work (trabalhar devagar)


 

O objetivo maior do slow work é diminuir a carga de trabalho. Para os defensores, menos horas laborais garantem maior produtividade, uma vez que um funcionário satisfeito e com melhor qualidade de vida tende a oferecer mais disposição e prazer para cumprir as obrigações profissionais.

Slow Schooling (estudar devagar)


 

 

É uma forma de concentrar o aprendizado em atividades que não promovam a competição entre os alunos, mas sim a interação, de forma lenta, no tempo de cada um, favorecendo o ato de refletir e estabelecer conexões. O slow schooling também recomenda que as crianças não tenham seus horários todos preenchidos com atividades e cursos extras.

 

 Slow Travel (viajar devagar)


 

“Conheça a maravilhosa Europa em cinco dias!” Esqueça. Com o slow travel, viajar não significa passar por todos os lugares sem conhecer ou se aprofundar em nada. A proposta é deixar a pressa de lado e mergulhar em cada local, cada cultura e cada povo. 

Slow Sex (sexo devagar)


 

Talvez você já tenha ouvido falar... Não exatamente com essa denominação, mas o slow sex nada mais é do que criar um clima, um ambiente favorável, esquecer as preocupações e embarcar num jogo de sedução, com carícias infinitas e extensas preliminares.

Fonte: Triada.com.br