TEMPLO ZU LAI, UM RECANTO DE PAZ

TEMPLO ZU LAI, UM RECANTO DE PAZ

Você pode viajar para China, conhecer as construções da Cidade Proibida, e ainda entrar em contato com os mais autênticos ensinamentos budistas, sem tirar os pés do Brasil. Como? Confira

Texto • Isis Gabriel / Fotos • Ângelo Yeh 

Fonte: Triada.com.br

 


O Zu Lai é um pedacinho da China budista dentro do Brasil. Nesse templo, a atmosfera de paz e harmonia é tamanha que contagia a todos – budistas ou não 
 

Logo na entrada, o Buda mais conhecido dos brasileiros, gordinho e sorridente, chamado Buda da Felicidade, saúda os visitantes. A poucos metros, uma escadaria abre caminho para um grande pátio e uma impressionante construção faz com que os olhos saltem.

A menos de 50 minutos do coração da cidade de São Paulo, está o maior templo budista da América Latina. Inaugurado em 5 de outubro de 2003, o Templo Zu Lai tem 10 mil metros quadrados de área construída, em um terreno de 150 mil metros quadrados.

Localizado em Cotia, Grande São Paulo, o Zu Lai é da tradição Ch’an, ou zen chinesa, e faz parte da Ordem Budista Fo Guang Shan (Montanha da Luz de Buda), fundada pelo Venerável Mestre Hsing Yün. O monastério brasileiro faz parte dos 220 templos de Fo Guang Shan espalhados pelo mundo.
 

Logo na entrada, o Buda gordinho e simpático do imaginário coletivo recebe o visitante com um largo sorriso: é apenas o início de um passeio que encanta a todos 

As edificações do templo aludem às belíssimas construções da Cidade Proibida de Pequim. A obra, no estilo clássico dos palácios chineses, é resultado de uma parceria entre arquitetos da China, Taiwan e Brasil. Cada detalhe foi cuidadosamente pensado. Desde o telhado no estilo da dinastia Tang (618 – 907 d.C.) com telhas vindas de Taiwan, às ornamentações das muretas, até o piso de granito – tudo fixa o olhar. 

Rumo à iluminação 

Vencidos os degraus da entrada, há vários caminhos a seguir. Mas como bom visitante, que tal primeiro cumprimentar o “dono da casa”? Para isso, siga em frente, atravesse o Caminho para a Iluminação, a passarela central do pátio, e dirija-se ao Salão do Grande Herói. Lá, diante da imensa estátua de Buda, construída com 4 toneladas de jade, você pode acender um incenso, fazer um pedido ou simplesmente agradecer. Caso se perca no meio do caminho, basta pedir ajuda a um dos guias do templo, que estão sempre por perto para responder todas as suas perguntas e ainda passar um pouquinho da filosofia budista.
 

O prédio com telhado de pontas encurvadas, inspirado nas construções da Cidade Proibida de Pequim, faz o visitante se sentir na China
 

“Entrei aqui sem saber quase nada sobre budismo, por isso, sei exatamente o que as pessoas leigas sentem quando vêm para cá”, diz Cynthia Ayres de Abreu, relações públicas e guia do monastério. Segundo ela, é impossível não se contagiar pelo clima de paz presente no monastério. “Eu continuo católica, mas aprendi uma infinidade de coisas aqui e é isso que quero compartilhar. Nenhuma pessoa do templo fala ‘vai orar’, ‘vai meditar’, eles dizem apenas ‘seja feliz’, ‘pense positivo’. Isso é maravilhoso.”

Reserve algumas horas para curtir sua visita ao Zu Lai. Lá, não faltam atividades e com certeza você vai se arrepender caso não possa aproveitá-las por falta de tempo. Há práticas de meditação, abertas para qualquer pessoa (iniciada ou não); exposição de peças e obras de arte budistas, vindas da China e de Taiwan; cardápio vegetariano chinês, servido em um agradável restaurante; e uma loja em que é possível adquirir livros, CDs, além de objetos de decoração. Não deixe de conferir, também, o jardim e o lago, com o melhor do paisagismo zen chinês, a biblioteca, o auditório e o playground. 
 

Cada uma das salas e espaços externos do local denota um cuidado especial na limpeza e na  conservação do templo: o jardim e o lago são imperdíveis

Vestibular para budismo

O monastério oferece cursos regulares de meditação, filosofia budista, idioma chinês, arte budista, dança tradicional chinesa, ikebana, culinária vegetariana, tai chi chuan e kung fu. O maior projeto, porém, foi iniciado recentemente: o curso universitário livre para formação de monges. “A educação é o grande objetivo Venerável Mestre Hsing Yün. Daí o incentivo para a formação de monges naturais do Brasil”, diz o estudioso da filosofia budista Moacir Mezzariol Soares, um dos coordenadores do projeto.

Segundo Soares, o monastério de Fo Guang Shan já possui quatro universidades – duas em Taiwan, uma na Austrália e outra nos Estados Unidos. “A ideia é que este templo, daqui a alguns anos, não seja mais conduzido por descendentes da colônia chinesa, mas por monges nativos. O budismo tem uma preocupação muito grande em adaptar-se às culturas locais.”
 

A cinerária é um salão ricamente adornado em que são depositadas cinzas de pessoas mortas. Ali, mantras são reproduzidos, ininterruptamente, por pequenas caixas de som 
 

Por enquanto, o curso de estudos budistas ainda não tem o reconhecimento do MEC e oferece apenas disciplinas independentes. “Estamos pedindo autorização para a formalização de um curso superior, o de cultura religiosa, em 2005”, diz Soares. O objetivo inicial da universidade livre é a formação de instrutores laicos de budismo e a preparação de pessoas que queiram ingressar na vida monástica.

A primeira turma é formada apenas por homens, segundo o coordenador Moacir Soares, “apenas por uma questão de acomodações”. Segundo ele, o monastério não faz nenhuma restrição sexual para ordenação de monges. Tanto é assim, que quem comanda o Zu Lai no Brasil é uma mulher. 
 

Responsabilidade social

Há 44 anos, nasceu na Malásia a Monja Sinceridade. Há 12 anos, ela vive no Brasil e hoje está à frente do templo Zu Lai. É ela quem coordena todas as atividades do templo e está encarregada de tocar a primeira universidade budista do Brasil. Além da universidade, o que faz os olhos da mestra Sinceridade brilhar são os projetos sociais Filhos de Buda e Projeto dos Jovens, que o templo vem desenvolvendo.

O Filhos de Buda reúne, atualmente, 60 crianças, de 8 a 12 anos, que moram em favelas próximas ao templo, para aulas de coral, computação, inglês, ginástica rítmica, meditação e, principalmente, como destaca Mei Wang, diretora dos projetos, para aprenderem sobre moral e ética. “A grande preocupação da mestra é fomar cidadãos”, diz Mei. Essa questão também é o ponto principal do Projeto dos Jovens, um trabalho da Unesco em parceria com a prefeitura de Cotia e o templo Zu Lai. “O projeto enfoca a formação profissional. Temos cursos de panificação, eco-turismo e artesanato. A ideia é dar a estes jovens oportunidade de cidadania.”
 

Nascida na Malásia, a Monja Sinceridade vive em São Paulo há mais dez anos. É ela quem dirige o Templo Zu Lai e o Centro de Cultura e Meditação Buddha’s Light
 

De acordo com Mei, no início dos projetos, houve certa resistência de alguns familiares das crianças e dos adolescentes envolvidos, por acreditarem que os monges tinham a intenção de arrebatar fiéis. “É claro que o budismo ensina ética, moral, e as coisas acabam se misturando um pouco, mas não há pregação de dogmas, não forçamos ninguém a virar budista.”

 

Hoje, cerca de cem jovens e crianças participam semanalmente dessas atividades. E se depender da vontade e do empenho da mestra Sinceridade, este número, como os templos em todo o mundo, logo se multiplicarão.

O fundador

Nascido em 1927, na província de Chiangsu na China, o Venerável Mestre Hsing Yün ordenou-se monge aos 12 anos. Em 1949, quando a Revolução Comunista liderada por Mao Tse-Tung conquistou o poder, Hsing deixou sua terra natal e fixou-se em Taiwan.

Ainda jovem, decidido a revitalizar o budismo humanista, fundou a Ordem Budista Fo Guang Shan, que propunha métodos inovadores para propagar os ensinamentos budistas adaptando-os às exigências contemporâneas. Um exemplo disso foi sua luta para dar às mulheres as mesmas oportunidades que os homens têm de ingressar na vida religiosa monástica.

Ao lado de Dalai Lama, Hsing é o mestre budista mais conhecido e respeitado na Ásia. Sob sua responsabilidade foram construídos 220 templos, três universidades, 16 faculdades, 20 bibliotecas, três editoras, galeria de arte, clínicas móveis, jornais e uma emissora de televisão.

Ele escreveu mais de cem livros em chinês e, em 1990, fundou a BLIA ( Buddha’s Light International Association), uma entidade educacional leiga que promove ações sociais e culturais. Desde que se aposentou como abade de Fo Guang Shan, viaja pelo mundo para levar o dharma.

Esteve no Brasil em 1992 e em outubro de 2003, na inauguração do templo Zu Lai.
 

 

 

Serviço

Onde fica

Estrada Municipal Fernando Nobre, n.º 1.461
Cotia – São Paulo
Tel.: (11) 4612-2895
Site: www.templozulai.org.br 
E-mail: zulai@templozulai.org.br
 

Transporte

Linha Barra Funda – Cotia
Informações: (11) 3612-1782

Linha Pinheiros – Cotia 
Informações: (11) 4616-9663

Aos domingos, o Templo Zu Lai oferece ônibus gratuito a partir da Estação Liberdade do Metrô. Os ônibus saem às 8h30 e às 14h30.

 Fonte: Triada.com.br