TRANSFORMADA PELA ÍNDIA

TRANSFORMADA PELA ÍNDIA

TRANSFORMADA PELA ÍNDIA

A professora de yoga Thaís Godoy relata uma das experiências mais marcantes que viveu no país que é o berço do yoga – uma história que despertou mudanças reais em sua vida. Confira

 

Texto • Thaís Godoy

Uma das coisas que mais me atormentavam o coração era o tal do desapego. E não só em relação às coisas e às pessoas, mas também quanto aos resultados de nossas ações. Antes de ser uma praticante de yoga, eu não conseguia sentir o quanto era – e, por muitas vezes, ainda sou – apegada ao resultado.

Quando ia fazer uma entrevista de emprego ou esperava uma ligação importante, quando fazia algum teste... O apego ao resultado era sempre maior do que minha própria concentração no momento presente. Dessa forma, muitas vezes não fiz o meu melhor, não relaxei minha mente, desperdicei minhas energias.

Lembro-me como se fosse hoje de uma história que vivi em minha primeira viagem à Índia. Uma experiência tola se comparada à outras por que passei. Mas esta me despertou mudanças.

Estava com um grupo em excursão em um ashram de naturopatia, na cidade de Puna, onde várias pessoas de muitos lugares da Índia vão para fazer tratamentos naturais e complementares, dos mais variados tipos de doença. Esse lugar recebeu Gandhi em sua fundação e segue até hoje todos os preceitos dele.

Ao entardecer, resolvi tomar um banho. Era inverno em quase toda a Índia. Entrei no banheiro e me deparei com uma torneira e um balde. Procurei o chuveiro e não encontrei. Perguntei para uma amiga que dividia o quarto comigo onde estava o chuveiro. Ela me disse, sorrindo, que não tinha. O jeito foi encarar mais essa experiência. Já é difícil tirar a roupa para tomar banho no inverno, ainda mais com balde. E, ainda por cima, com água gelada.

Tomei o banho chorando, num misto de sentimentos. Pensava que queria voltar para casa, queria minhas coisas, meu conforto, no mínimo um chuveiro quente. Repetia para mim mesma que ficaria resfriada e doente depois. Quanta besteira!

Assim que o banho terminou, percebi quão fechado pode se tornar nosso coração e nossa mente quando não nos abrimos para o novo, o quanto temos dificuldades de nos desapegarmos dos nossos valores, costumes, convicções, crenças e rotinas.

Foi assim que tentei me desapegar de qualquer expectativa. Saí do banho com o coração mais aberto. Ri de mim mesma. Afinal de contas, viver aquilo era muito maior do que qualquer outra coisa. Aprender novas formas, novos lugares, novas pessoas... É um caminho fascinante. Tenha a certeza de que o yoga, por meio de sua filosofia, também é capaz de proporcionar o autoconhecimento.

Mas isso só é possível ao realizar a prática com consciência, aberto à conexão com o fluxo de uma energia maior, uma energia de liberdade, de desapego.

Fonte: Triada.com.br