YOGA NA MELHOR IDADE

YOGA NA MELHOR IDADE

YOGA NA MELHOR IDADE

Não tenha dúvida: o yoga é um bom companheiro para a vida inteira. Saiba agora como a prática pode contribuir na manutenção da vitalidade e saúde para aqueles que já viveram mais de cinquenta primaveras

 

Texto • Sandra Cruz
 

Se envelhecer é inevitável, amadurecer bem é uma escolha. Um caminho para manter a saúde e garantir a qualidade de vida após os cinquenta anos é a prática do yoga, cujos efeitos terapêuticos são cada vez mais reconhecidos. Especialistas e praticantes garantem: o yoga é capaz de retardar o envelhecimento e minimizar os efeitos da idade, interferindo até mesmo em nosso sistema imunológico.

Os músculos, que vão perdendo o tônus com o passar dos anos, são fortalecidos pela prática dos asanas, as posições corporais que também corrigem e melhoram a postura. Muitos exercícios agem diretamente na coluna, o que alivia as dores. Os alongamentos e torções diminuem a rigidez das articulações, previnem o reumatismo e a artrite. O coração também é fortalecido por meio das técnicas respiratórias, os benditos pranayamas, que também agem no sistema nervoso. E (ufa!) os benefícios não param por aí.

Baseado em pesquisas extensas, Cláudio Duarte, fundador da Universidade Aberta de Yoga e professor há mais de 35 anos, enumera as maravilhas que o yoga pode fazer por quem já viveu mais de meio século. “Além dos ganhos respiratórios e cardíacos, as práticas do yoga podem eliminar problemas digestivos (queimações e refluxos) e colaborar com o trabalho intestinal, evitando colites e prisão de ventre.” O sistema urinário também sente os reflexos. “Muitos idosos que sofrem com incontinência urinária apresentam uma significativa melhora ao executar determinados asanas.”

Para as mulheres, uma vantagem a mais: a prática yogue pode evitar, ou pelo menos atenuar, os efeitos da menopausa. Nesse período, há um sensível desequilíbrio no nível de hormônios, que baixam, o que provoca desânimo, angústia, insônia, irritabilidade, ressecamento de mucosas, queda de cabelos e enfraquecimento dos ossos, entre outros problemas. Sem falar nos terríveis fogachos, aquelas ondas de calor que trazem um desconforto terrível à mulher.

“É justamente quando se está chegando à terceira idade que o yoga vale de verdade. Eu entrei na menopausa sem ondas de calor e sem ter de fazer reposição hormonal”, garante a artista plástica e professora de yoga Laura Mahama, de 62 anos – destes, mais de 20 foram dedicados ao hatha yoga. Ela explica que determinados asanas irrigam e fazem um profundo massageamento em glândulas secretoras de hormônios, como a hipófise, a tireóide, as supra-renais e os ovários.

Nesses casos, Laura recomenda principalmente as posturas invertidas (em que as pernas ficam para o alto). Asanas de relaxamento praticados diariamente também ajudam, pois dispersam as dores musculares, baixam a pressão sanguínea, equilibram o ritmo cardíaco, reduzem a fadiga e melhoram a qualidade do sono. “As posturas em que o praticante fica sentado também são muito eficientes para a mulher na terceira idade, já que fortalecem os músculos da pélvis. Quem aprende a controlar os músculos da região, dá adeus à chamada bexiga solta.”

 

 

No Centro de Referência do Idoso, em São Paulo, o yoga é, há tempos, uma feliz realidade: senhoras e senhores de até 70 anos o praticam

 

Como um escudo

No Centro de Referência do Idoso (CRI), em São Paulo, o yoga hoje faz parte da rotina. Lá, professores como Laura Mahama buscam fazer da disciplina yogue uma ferramenta capaz de proporcionar mais qualidade de vida aos senhores e senhoras que frequentam o centro. “Nos esforçamos para sempre estimular nos alunos uma atitude mental positiva em relação à vida e aos outros”, diz Laura.

Há três meses, ela está trabalhando com um grupo de 15 pessoas, na maioria mulheres, algumas com até 70 anos. Durante uma hora, duas vezes por semana, a turma pratica o hatha yoga. “As alunas estão achando maravilhoso, porque já sentem o corpo mais firme e percebem que, sem gastar dinheiro ou ter de ir ao médico, conseguiram melhorar a própria saúde.” É claro que, se tudo fica bem com o corpo, a mente logo sente. “Todas estão mais seguras e dispostas.”

Disposição de sobra é o que tem Odila Medeiros Pacheco, de 70 anos. Secretária aposentada, ela pratica yoga desde os 50. A partir das técnicas de respiração, encontrou a paz e a tranquilidade que procurava. Odila não poupa elogios para o yoga, principalmente para as aulas que priorizam a meditação e os exercícios de relaxamento, ótimas fontes de equilíbrio para superar situações difíceis. “O yoga dá uma alegria interior, um contentamento. É como se fosse um verdadeiro escudo. Não elimina os problemas, mas faz com que eles não nos atinjam profundamente. Além disso, nos dá coragem para enfrentar o mundo.”
 

Energia descomunal

Superar os desafios do dia a dia com mais calma. Foi para isso que, há cinco meses, o taxista Luiz Carlos Souza, de 51 anos, procurou o yoga. “Eu estava muito estressado, ansioso e com muitas preocupações na cabeça. Já havia tentado tratamentos alternativos, como acupuntura, florais e massagem. Só me encontrei com o yoga.” Mesmo trabalhando mais de dez horas por dia, duas vezes por semana, o motorista dedica um tempo para as aulas.

Encantado com os alongamentos que aprendeu, Luiz Carlos diz que hoje pratica a disciplina em diversos momentos do dia – até mesmo dentro do táxi. Vaidoso, comemora também a perda de peso, mas sem esquecer as melhoras no comportamento. “Senti que o estresse diminuiu. Agora, numa situação de conflito, consigo respirar fundo. Percebi que tenho uma energia descomunal, preciso aprender a direcioná-la”. As dores nas costas, outra queixa constante nessa faixa etária, também não incomodam mais. “As posturas são fantásticas. Mas, no começo, pensava que a qualquer momento teriam de chamar o resgate.” Hoje, ele já tira de letra. Por colher tantos benefícios, Luiz Carlos quer ir além. 
 

Asanas da maturidade

Conheça alguns dos exercícios que aliviam dores e deixam o corpo enxuto por dentro e por fora.

 

Balasana
Postura da criança

Deite sobre os calcanhares, curvando-se para a frente com a cabeça relaxada sobre as mãos. Os braços também devem ficar relaxados. Esse asana traz equilíbrio emocional, acalma e elimina a tristeza. É ótimo contra angústia e insônia.

 

Vjara Yogasana
Postura do cisne

Pequena variação da postura anterior, agora com os braços soltos, alongados na direção da cabeça. É um asana de reverência. Reduz tensões nervosas, angústia, dores de cabeça e na coluna e desperta a humildade.

 

Shavasana
Postura de relaxamento

Deite-se de barriga para cima e o corpo todo relaxado. Os braços devem ficar estendidos ao lado do corpo, as palmas das mãos viradas para cima e os pés relaxados. Acalma profundamente, libera tensões, angústias, ansiedades e combate diretamente o stress. 
 

Sinal vermelho

Há quem diga que qualquer um pode praticar o yoga, independentemente da idade. Porém, em algumas situações, a prática deve ser feita sob orientação médica. Conheça as doenças que podem ser estimuladas com a prática yogue.

Hipertensão: hipertensos devem evitar diversas posturas invertidas, que provocam intensa irrigação na cabeça, o que eleva ainda mais a pressão. Determinados exercícios respiratórios também podem ser prejudiciais, dependendo da intensidade.

Hipertireoidismo: quem sofre com esta disfunção hormonal não pode praticar determinadas posturas que estimulam a glândula tireóide. A dica é sempre consultar um bom professor.

Problemas de coluna: alguns especialistas defendem que quem tem hérnia de disco ou outro problema crônico na coluna não deve praticar o yoga. Mas há controvérsias. Outros profissionais dizem que o yoga pode ajudar no alívio das dores, desde que praticado com cautela e responsabilidade. De qualquer modo, os asanas que sobrecarregam ou exigem muito da coluna (invertidos, por exemplo) estão proibidos.

 Fonte: Triada.com.br